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Estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgado em maio, apontou que 42% das viagens na Capital paulista poderiam ser realizadas de bicicleta.

Os dados abordam percursos “pedaláveis”, de até oito quilômetros entre origem e destino, realizados por pessoas com até 50 anos, entre 6h e 20h, e “facilmente pedaláveis“, de até cinco quilômetros de distância. Diante das informações da pesquisa, cresce também a necessidade de mais inclusão, cuidado e investimento com ciclovias.

Em 2017, o orçamento da Prefeitura de São Paulo incluiu R$ 25 milhões para a ampliação e manutenção de ciclovias da cidade. No orçamento deste ano, a verba destinada caiu para R$ 9 milhões. A queda pode ter ajudado na percepção de que não houve investimento na área.

A reclamação das pessoas que utilizam as faixas destinadas à bicicleta é sempre a mesma: não há finalização das obras nem manutenção. A queixa foi relatada pela cicloativista Renata Falzoni, em entrevista à Rádio CBN, ontem (23).

“O conceito de acabamento de todas as obras de mobilidade é baixo”, disse Renata, destacando que não existe um critério de cobrança para a finalização e, por isso, é comum encontrar buracos e irregularidades nas vias. O maior problema, aponta, é que a falta de manutenção pode tornar as faixas perigosas: os pneus ficam presos nas crateras e, dependendo do acidente, os ciclistas correm até perigo de vida.

Há também relatos de motoristas que passam com carros por cima dos espaços reservados para bicicletas e de veículos da administração pública estacionados nestas vias. Para Renata, o pouco caso com a situação das ciclovias não faz sentido, porque o número de pessoas interessadas em utilizar a bicicleta como meio de transporte efetivo está cada vez maior, disse à CBN.

De acordo com o site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade de São Paulo conta com 498,3 quilômetros de estrutura cicloviária, sendo 468 quilômetros de ciclovias e 30,3 quilômetros de ciclorrotas.

Além disso, há 122,2 quilômetros de ciclofaixas de lazer, que são ativadas aos domingos e feriados nacionais.

Resposta

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes afirmou que “irá apresentar nas próximas semanas o novo plano cicloviário da cidade de São Paulo”.

Segundo o texto, o intuito é melhorar a rede, “ oferecendo segurança, corrigindo falhas e garantindo a conectividade entre as rotas de bicicletas e os meios de transportes coletivos”.

“Antes do anúncio do novo plano Cicloviário, a Secretaria tem imantado o novo padrão de sinalização de ciclovias em todas as ciclovias recapeadas pelo programa Asfalto Novo. Esse trabalho está sendo realizado nos mesmos moldes dos serviços executados nas ciclovias da Rua Líbero Badaró (Centro), Avenida Engenheiro Caetano Álvares (zona norte) e Avenida Jabaquara (zona sul)”, diz a nota à imprensa.