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Após a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei sancionada em 2010, a logística reversa se tornou uma medida para as empresas lidarem com o lixo que produzem.

Ao longo da Semana do Meio Ambiente, iniciada hoje (5), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) discutirá questões importantes para o desenvolvimento sustentável, assim como esta.

Há dois tipos de logística reversa: de pós-venda e de pós-consumo. “As empresas fabricam e distribuem os produtos, que chegam ao mercado. Alguns deles, no entanto, voltam sem serem consumidos. Essa é a logística reversa de pós-venda”, explicou o professor de Logística Reversa da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB), Paulo Roberto Leite. O retorno de pós-consumo acontece quando os produtos são consumidos e depois descartados.

Com a definição da PNRS, houve uma movimentação na indústria e no comércio para criar acordos setoriais que equacionavam a logística reversa de apenas alguns produtos (pneus, baterias, embalagens de agrotóxico, eletroeletrônicos, lubrificantes e lâmpadas mercuriais).

“Essa é uma política nacional, mas os estados estão avançando e fazendo termos de compromissos. Uma série de acordos para outros setores estão sendo feitos fora do âmbito federal”, disse o especialista. Um exemplo é o termo de compromisso assinado em maio pelo governo e indústrias de embalagens em geral.

A empresa que pratica logística reversa, além de seguir uma obrigação legal, tem um diferencial competitivo e, apesar do investimento em sistemas e inovações para isso ser alto, o resultado da prática representa economia e vantagens tanto para a empresa quanto para o consumidor.

Porém, a prática apresenta dificuldades. Entre os fatores apontados pelo presidente da CLRB estão: a conciliação de todos os setores envolvidos na fabricação e distribuição do produto; a questão da devolução, principalmente a voluntária que deve partir do consumidor; a ampliação por todo o território nacional; o custo, tanto do processo quanto do transporte dos produtos; e também a falta de informação da população sobre o assunto.

Para o diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, há ainda outros desafios para colocar em prática a logística reversa. “A falta de diferenciação tributária onera ainda mais o processo. Não há nenhum benefício em reinserir materiais na cadeia produtiva, porque elas acabam sendo tributadas duas vezes. Deviam ser criados incentivos fiscais, tributários e creditícios”, completou.