Publicado em

Cerca de metade dos paulistanos (48%) avalia negativamente a preservação e a manutenção de praças e parques da Capital, como mostra pesquisa realizada pela ONG Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência e com o Sesc São Paulo.

De acordo com o estudo “A Cidade e o Meio Ambiente”, apenas 11% dos entrevistados consideram a preservação e manutenção destas áreas públicas boa (8%) ou ótima (3%). Entre os que avaliaram negativamente, 25% consideram ruim e 23% dizem que é péssima.

A pesquisa levantou também dados sobre a coleta e a reciclagem de materiais na cidade. Embora a maioria tenha afirmado que separa lixo reciclável do não reciclável em casa, 42% dos paulistanos ainda não têm esse hábito.

Apesar disso, a média paulistana está acima da brasileira. Pesquisa do Ibope/Ambev realizada em maio deste ano aponta que 39% dos brasileiros não separam material orgânico do reciclável.

Os dados mostram que quanto mais velhos, mais instruídos e mais ricos os entrevistados, maior a proporção de separação dos materiais recicláveis. As regiões com índices mais expressivos desta atividade são a Central e a Oeste.

Outro ponto abordado pelo estudo diz respeito à medidas que limitam a circulação de veículos para a diminuição da poluição. A maioria dos paulistanos (76%) é a favor da tomada de providências.

Entre as medidas apresentadas que ajudariam a diminuir a poluição da cidade, a maioria dos entrevistados (30%) acredita que implantar novamente a inspeção veicular ambiental seja a mais eficiente. Outros 21% acham que limitar a circulação de veículos em algumas ruas do centro expandido deva ajudar a diminuir a poluição, enquanto 16% acredita que ampliar o horário do rodízio seja o mais eficaz.

Quase cinco em cada dez paulistanos (46%) disseram que deixariam de consumir produtos que geram prejuízos ambientais e sociais.

Essa proporção aumenta quanto maior a idade e a instrução dos entrevistados, além de terem renda familiar acima de 5 salários mínimos.

Das pessoas que talvez deixassem de consumir esses produtos (40%), a maioria está na Zona Norte, enquanto a região leste da capital se destaca entre aqueles que não mudariam os hábitos de consumo (12%).

Conclusões

O estudo levantou dados positivos sobre a relação dos paulistanos com o meio ambiente, mas ainda há questões que devem ser tratadas, como um maior envolvimento da administração municipal.

“A pesquisa revela que a Prefeitura avança a passos lentos na agenda ambiental da cidade”, afirmou Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.

Quando o assunto é descarte de resíduos recicláveis, o trabalho dos catadores, por exemplo, é mais eficaz do que o feito pela Prefeitura. O estudo mostra que, enquanto 38% usam a coleta da Prefeitura, 28% preferem catadores de rua e 12% usam cooperativas.

“Somando catadores e cooperativas, o volume coletado é maior do que o da Prefeitura. As duas têm menos investimento, mas mesmo assim fazem quase o mesmo trabalho que a administração municipal”, comentou Sampaio.

Outra conclusão apontada pelo gestor de projetos é que o comportamento dos paulistanos ainda está aquém das questões. Por mais que a maioria apoie a limitação de circulação de carro na cidade, a medida mais apoiada é a volta da inspeção veicular. “As pessoas querem diminuir a poluição, mas não querem deixar o carro em casa”, completou.