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O mercado imobiliário de Bauru está recuperando o bom desempenho enfraquecido pelos anos de crise. Embora o setor ainda tenha legislações rígidas como o principal desafio para a expansão e para novos empreendimentos, o lançamento de imóveis ganhou força no último ano.

A análise é do diretor de habitação econômica da regional do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) em Bauru, Bruno Pegorin. Ele explica que a recuperação do setor na cidade se dá, principalmente, porque os empresários confiam em investir no segmento. O motivo seria que nas cidades do interior há uma forte tradição de comprar imóveis.

Só em lançamentos (imóveis aprovados, mas não necessariamente prontos para mudar), de janeiro a dezembro de 2018, a cidade teve um aumento de 109% em relação a 2017. Isso considerando as residências verticais – apartamentos.

Os dados são do Estudo Secovi do Mercado Imobiliário de Bauru, feito em parceria com a Robert Michel Zarif Assessoria Econômica. Em relação às vendas, foram comercializadas 1.513 unidades em 2018, ante as 1.317 unidades apontadas em 2017, um aumento de 14,9%.

Conforme o levantamento, o estoque de imóveis na cidade baixou de 2.158 unidades em 2017 para 1.367 unidades no ano passado, uma queda de 36,7%.

Mesmo com a melhora nos resultados, para Pegorin, o mercado imobiliário de Bauru ainda é abaixo da média, se comparado a outras cidades do interior, como Rio Preto. O motivo, segundo ele, seriam legislações proibitivas, como algumas limitações ambientais, que dificultam a variedade de lotes.

“Além da burocracia, Bauru enfrenta a falta de variedade dos loteamentos. 100% dos lançamentos na cidade são loteamentos fechados. Em Rio Preto isso é divido em 50% e 50%. Em Bauru, nos últimos 20 anos não foi lançado um loteamento aberto”, afirma.

No geral, nos loteamentos abertos, os responsáveis pelo terreno precisam disponibilizar parte da área para o município, que passa a gerir as áreas verdes e as públicas. Já no fechado, fica sob a responsabilidade do loteador manter a manutenção e gestão das áreas públicas, processo parecido com o que ocorre nas áreas comuns de condomínios.

O diretor da construtora Bild Desenvolvimento Imobiliário em Bauru, Mauri Leite, também considera que a cidade possui restrições no crescimento da área urbana, o que gera especulações imobiliárias e prejudica o lançamento de novos empreendimentos residenciais. Para ele, ainda falta uma estabilidade econômica e juros mais baixos.

Ainda assim, ele considera que o setor está em expansão na cidade, com novos players e empreendimentos. Para 2018, a Bild esperava um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 100 milhões com os projetos lançados na cidade. O resultado recebido foi de R$ 135 milhões. Para este ano, a empresa aumentou as expectativas e projeta um VGV de R$ 150 milhões.

Para Pegorin, em Bauru, 2019 deve seguir a tendência de crescimento, tanto pelo cenário econômico mais positivo quanto por uma maior demanda. “Com este cenário, as construtoras vão continuar vendendo e acelerando seus projetos”, diz.