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O Elevado João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, é 79% mais poluído do que o resto da cidade de São Paulo. Os dados são do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

O estudo mostra que o maior culpado pela grande taxa de poluição é o corredor de ônibus que passa por baixo da estrutura, conectando o leste ao oeste da capital paulista. De acordo com Francisco Machado, diretor do Movimento Desmonte Minhocão (MDM), o Elevado atua como um grande tampão para os gases. “O Minhocão não permite que os gases que são emitidos pelos veículos se dispersem pela atmosfera. Eles acabam invadindo comércios e apartamentos”, comentou.

Além disso, a estrutura não permite que raios de sol entrem na parte de baixo, tornando a área insalubre. “Hoje, encontramos traficantes e moradores de ruas embaixo do Minhocão e eles também têm sua saúde agredida”, disse o diretor do Movimento. A concentração desses grupos afetou também o comércio da região, que teve muitas portas fechadas por causa do aumento da criminalidade.

Privacidade

Há outras questões que afetam os 230 mil moradores do entorno do Elevado João Goulart. A falta de privacidade de quem habita a região é inegável, diz Machado. “Quando não estão passando carros, tem gente olhando para dentro da sua casa. Você tem que ficar com janelas e cortinas fechadas o tempo todo”, disse, destacando que a desativação da estrutura é “urgentíssima” por ser inadequada e inconveniente.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o Minhocão é desnecessário pois as faixas duplicadas das Marginais fazem o papel do viaduto, construído na década de 1970. O atual Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade determina a criação de uma lei para vetar o trânsito de automóveis ou até mesmo a demolição da via.

Em fevereiro, a lei que cria o Parque Municipal do Minhocão foi publicada no Diário Oficial do município. O então prefeito, João Doria sancionou a lei que cria o parque e estabelece a desativação progressiva do Elevado. Mas vetou a possibilidade de demolição da via, conforme previsto no Plano Diretor. O desmonte não seria complicado pois as vigas são pré-moldadas e podem ser reutilizadas em outros projetos.

Machado apoia a criação do parque desde que o Minhocão seja desmontado. “Somos a favor de um parque no chão e não a uma altura de oito metros”, disse. A ideia de um parque sobre o Elevado não deve avançar porque, de acordo com Machado, o Corpo de Bombeiros já caracterizou a via como “sem as mínimas condições de segurança para pedestre”.

“Propomos uma bela, arborizada e ajardinada avenida, que seja um cartão postal de nossa cidade”, disse. O Movimento quer o desmonte do Minhocão para que haja a revitalização do comércio e a reurbanização da região, trazendo benefícios para todos. “Bruno Covas precisa escolher entre a manutenção da degradação da estrutura que foi imposta à população ou ter uma visão moderna e progressista para fazer o desmonte”, ponderou o entrevistado.

Procurada para mais informações sobre o futuro do Elevado João Goulart, a Prefeitura de São Paulo não deu resposta até o fechamento desta edição.