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Pouco antes do aniversário de cinco anos das Jornadas de Junho de 2013, o Movimento Passe Livre (MPL) volta às ruas hoje contra um novo aumento de R$ 0,20 na tarifa do transporte público paulistano.

Na visão dos membros do grupo, é possível repetir o feito de 2013 - a revogação do aumento da passagem. “A mudança da tarifa não é suportável e, mais uma vez, vai ter um impacto maior para os usuários do que para as empresas que prestam os serviços [de transporte]”, diz Sofia Sales, integrante do MPL.

No começo desta semana, as passagens de ônibus e metrô subiram de R$ 3,80 para R$ 4,00 em São Paulo. Já a integração entre os dois meios de transporte passou de R$ 6,80 para R$ 6,96. “Agora quem recebe salário mínimo e usa a integração duas vezes por dia vai gastar 32% do salário só para se locomover pela cidade”, critica Sofia.

Segundo ela, uma melhor gestão do orçamento público e a diminuição da taxa de lucro das companhias de ônibus abririam espaço para a redução da tarifa. “Com medidas desse tipo, dá para conseguir até o passe livre, que é o nosso plano no longo prazo.”

Pesquisador de mobilidade urbana do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria também defende que é possível estabelecer um preço mais baixo para a passagem. “Mas seria necessário um esforço da Prefeitura nesse sentido, e isso não está acontecendo”, pondera.

Entre as medidas que poderiam compensar a manutenção de uma tarifa mais baixa, ele menciona a expansão das áreas de Zona Azul na cidade, o que aumentaria a arrecadação municipal, e a liberação da publicidade nos ônibus. “O uso da propaganda poderia ser outra fonte de lucro para os empresários do transporte, reduzindo o peso sobre a passagem”, explica o especialista.

Entretanto, ele afirma que o edital para a concessão do serviço de ônibus na capital, atualmente em fase de consulta pública, não traz medidas que possibilitem a redução da tarifa municipal.

“Um dos poucos pontos positivos [do edital] é que o pagamento às empresas [de transporte] passará a ser feito pelo custo do serviço. Essa modalidade é mais fácil de fiscalizar que o pagamento por quantidade de usuários, usado atualmente, o que pode evitar um aumento exagerado do lucro das empresas”, afirma Calabria.

Manifestação

Na semana passada, o prefeito João Doria afirmou que vai manter o aumento da tarifa e disse não acreditar em uma adesão expressiva às manifestações de rua. Até o fechamento desta edição, 30 mil pessoas estavam confirmadas ou tinham interesse no protesto marcado pelo MPL para hoje à tarde no Teatro Municipal.