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O preço de produtos e serviços na capital paulista podem subir com a aprovação das mudanças no vale-transporte. Embora tenha sido suspensa pelo Tribunal de Justiça do Estado em menos de um mês após sua outorga, o risco de as medidas voltarem a vigorar até o final da gestão de Bruno Covas preocupa o setor de comércio e varejo.

Segundo especialistas ouvidos pelo DCI, a elevação de R$ 4,30 para R$ 4,57 nos custos de cada viagem do funcionário e a diminuição do número de viagens de integração (possibilidade de percorrer mais linhas pelo preço de uma passagem) de quatro para duas em um período de três horas vão resultar em prejuízos para empresários, impactando nos preços e contratações de servidores.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de São Paulo (Sincovaga), Álvaro Furtado, explica que, embora as empresas prefiram contratar quem mora perto, o setor ainda emprega muitas pessoas que moram longe dos estabelecimentos. Para esses empregadores, segundo ele, as mudanças no Bilhete Único vão gerar ainda mais prejuízos.

De acordo com Furtado, a gestão municipal tentou resolver um problema dela, com o argumento de estar subsidiando os custos que deveriam ser de empresários, sem pensar nos impactos. “Nós [do setor varejista] falamos com a Prefeitura, mas ela não se sensibilizou. Disse que tinha um rombo nos recursos públicos e que precisava resolver. Agora estamos na Justiça para tentar resolver essa regra”, diz.

Para o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietzer, o setor de comércio é a porta de entrada para muitas pessoas em busca do primeiro emprego, com um menor grau de formação e de regiões mais periféricas.

Característica que, segundo ele, pode ser prejudicada, com o encarecimento da contratação desses funcionários, os empresários podem ter duas alternativas de emergência. Ou escolher empregar somente aqueles que moram perto ou aumentar os preços das mercadorias.

“Quando envolve uma base de mão de obra mais qualificada, como no setor automotivo, os impactos serão maiores nos preços. Isso porque o empresário não vai querer contratar outra pessoa”, afirma Dietzer.

Segundo ele, a medida tomada pela prefeitura ajuda somente o setor de transportes.

Ele explica que a única forma possível de manter as duas pontas satisfeitas (pública e privada) seria aumentar a geração de empregos na periferia.

Dietzer considera que as pessoas que moram em regiões mais periféricas têm dificuldades em conseguir emprego. Para ele, se a gestão municipal oferecesse benefícios fiscais às empresas para que elas se espalhassem pela periferia de São Paulo e contratassem mais gente, seria a melhor solução para aumentar os postos de trabalho e não aumentar o preço de produtos.

“Em Santo Amaro, por exemplo, cerca de três milhões de pessoas se deslocam diariamente para o centro. Essas pessoas poderiam achar empregos em sua região. Esse é o melhor caminho quando não se tem um transporte público de qualidade”, diz. Ele explica que o impasse deve ser resolvido rápido. Isso porque, qualquer decisão tomada por São Paulo impacta na dinâmica de toda a região metropolitana.