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O número de notificações de agressão a mulheres de 20 a 59 anos do distrito de Jardim São Luis é 180 vezes maior do que no Jardim Paulista. É o que mostra o Mapa da Desigualdade 2018, divulgado ontem (28) pela Rede Nossa São Paulo.

O bairro central tem 0,55 notificações por dez mil mulheres nessa faixa etária, enquanto a região da Zona Sul da capital apresenta 100,07.

O levantamento aponta também que a diferença percentual de remuneração média do emprego formal entre mulheres e homens no Jaguara é 27 vezes maior do que na Consolação.

Já a taxa de emprego formal a cada dez indivíduos residentes participantes da População em Idade Ativa (PIA) na Barra Funda atingiu 59,24%, nível 246 vezes maior do que na Cidade Tiradentes, que marcou 0,24%.

Quando o assunto é saúde, os moradores do distrito de Anhanguera demoram quase 108 dias para realizar consulta com clínico geral. A espera é 1350 vezes maior do que em Marsilac. Os moradores do distrito do extremo sul da cidade esperam menos de um dia para uma consulta.

Ainda sobre o mesmo tema, o estudo mostra que a proporção de leitos hospitalares públicos e privados disponíveis por mil habitantes na Bela Vista (48,42) é 1251 vezes maior do que no bairro de São Rafael (0,04).

Outro dado alarmante diz respeito à habitação. A Rede Nossa analisou que Pinheiros apresenta uma porcentagem de domicílios em favelas 605 vezes menor do que o distrito de Vila Andrade, onde quase 50% das moradias estão em situação irregular.

Referente à arrecadação nominal do IPTU, o Itaim Bibi marcou o montante de R$ 538 milhões, enquanto Marsilac arrecadou apenas R$ 148 mil, valor 4139 vezes mais baixo do que a região da Zona Oeste da capital.

O estudo chama a atenção também para a carência de equipamentos públicos. De 96 distritos, 52 não têm um centro cultural, casa ou espaço de cultura. Outros 36 não possuem uma única biblioteca infanto-juvenil.

Estagnação

O mapa, realizado anualmente pela Rede Nossa desde 2012, apresenta indicadores dos 96 distritos da capital e releva a distância socioeconômica entre as melhores e piores regiões, chamada de “desigualtômetro”.

Os 53 indicadores analisados pela instituição mostram que, desde o primeiro ano do levantamento, a cidade de São Paulo está estagnada. “O mapa mostra que não teve nenhuma evolução. Não tem nenhum elemento que mostre que houve diminuição da desigualdade”, explicou Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.

Para ele, o indicador de idade média ao morrer diz respeito a todos os outros índices, além de explicitar a real desigualdade enfrentada por São Paulo.

Na região do Jardim Paulista, os moradores vivem, em média, até os 81 anos de idade. Já no distrito de Cidade Tiradentes, os moradores vivem até os 58 anos, como mostra o levantamento.

“É uma diferença de 23 anos. Toda dinâmica da cidade – seja mobilidade, renda, saúde e educação – leva a ter esse resultado. É inaceitável dentro de uma mesma cidade uma diferença como essa existir”, comentou Sampaio.

Na edição de 2017, a diferença de idade média ao morrer entre a região mais pobre e a mais rica marcada pela Rede Nossa foi de 25 anos. Apesar da leve diminuição, o gestor acredita que ainda estamos no mesmo patamar.