Publicado em

Mais um painel do muro de vidro da Universidade de São Paulo (USP), na Marginal Pinheiros, foi quebrado na madrugada de ontem (2), gerando discussões sobre a existência de um possível problema estrutural da instalação.

De acordo com Antonio Claudio Fonseca, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, o vidro é um material que, naquelas condições, está sujeito a pancadas e golpes de ar. “Pode ter acontecido um pouco de tudo. Pode ter sido vandalismo, choque térmico ou por montagens sem previsão de dilatação”, explicou.

Além disso, o local onde o muro foi instalado também não colabora. “Em uma pista de alta velocidade como a Marginal é comum pedras ou outros objetos caírem dos caminhões. A batida de uma pedra de dois quilos no vidro vai fazer com que ele se quebre”, disse Fonseca.

Segundo a Prefeitura, não houve mudança no trânsito ou no clima que explicasse todos os casos. Além disso, os vidros de 10 milímetros de espessura com película de proteção utilizados na instalação são cinco vezes mais resistentes que os comuns. Em testes feitos pela administração municipal, o material aguentou até batidas de martelo.

No entanto, nenhum vidro é “inquebrável”, ponderou o professor de Arquitetura. Para ele, o ideal seria a construção de um muro com materiais alternados, como áreas de vidro e opacas, para não tirar a vista para a raia.

Placas quebradas

Desde abril, mês da inauguração simbólica do muro, já foram quebrados 16 painéis de vidro que separam a Marginal Pinheiros da Raia Olímpica da USP.

Cada placa está avaliada em R$ 4 mil e, apesar da promessa da Prefeitura de São Paulo, o monitoramento por câmeras ainda não tem previsão de começar. Dessa forma, a continuidade da construção segue lenta.

O muro de concreto, construído há 21 anos, possui 2,2 quilômetros de comprimento, mas apenas 500 metros foram substituídos por vidro. Ao final do projeto, serão instaladas 1.222 placas.

A demolição do muro e a implantação dos vidros foram estimadas em R$ 15 milhões e financiadas com recursos da iniciativa privada. Porém, o poder público municipal será responsável pela manutenção da instalação.