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São José dos Campos - A construção de presépios é atualmente uma das mais fortes tradições em todo o Vale do Paraíba e é mantida há duas décadas no Museu do Folclore de São José dos Campos (SP).

Os cenários dos presépios são edificados com influência tanto regionais como de diversas outras partes do país e se tornaram uma das principais manifestações culturais do Natal da região, atraindo milhares de visitantes.

Integrado às celebrações natalinas, o Museu do Folclore, que completou 30 anos de criação ontem (3), também terá uma exposição de presépios. Há 20 anos, a sede do Museu funciona no Parque da Cidade - Burle Marx.

A exposição foi inagurada junto com o aniversário do Museu e será aberta para visitação pública. Com seu já tradicional presépio, abriu o popular Ciclo de Natal e teve a presença de três grupos de Folias de Reis, o Esplendor do Oriente, Estrela de Belém, de São José dos Campos e Filhos do Oriente, de Jacareí.

Figuras de barro

Este ano, o presépio do Museu foi montado pelo casal Vicente Corrá e Ivone de Paula, com auxílio de Marade Paula e Hilda de Paula. Apesar de se tratar de uma manifestação da cultura popular estudada pelo folclore e comum em todo o Brasil, a montagem de presépios assume características próprias em cada região e, no Vale do Paraíba, predominam as figuras feitas de argila, feitos pelas figureiros, principalmente nas cidades de São José dos Campos, Taubaté, Caçapava, Jacareí e Pindamonhangaba.

Visitação

O presépio poderá ser visitado de terça a sexta-feira e feriados, das 9h às 14h, e aos sábados e domingos, das 14h às 17h. O encerramento do Ciclo de Natal acontecerá no dia 28 de janeiro, quando novos grupos de Folias de Reis se reunirão no Museu do Folclore para a 21ª Chegada das Bandeiras, numa das mais belas manifestações da região. Elas são benzidas durante a presença na adoração ao presépio.

A montagem do presépio no Museu atende a uma solicitação dos próprios devotos, principalmente de Santos Reis. "O museu é apenas um instrumento de concretização da manifestação. Por isso é que as pessoas que montam os presépios anualmente são convidadas ou se apresentam para montar. E tanto na abertura como no fechamento do presépio está presente a figuras das Folias de Reis, que se manifestam diante do presépio pela fé", explica a diretora e folclorista Angela Savastano.

Cada ano uma família é escolhida para montar o presépio com características únicas. A família Corrá monta presépios em casa há dez anos. "Minha mãe não montava, mas todo ano visitávamos o presépio da comadre dela e apesar de eu achar bonito, só comecei a entender o seu significado a partir dos 15 anos de idade", confessa Ivone.

Hoje, seus presépios podem ser vistos por vizinhos e pessoas que passam em frente à sua residência, pois eles ficam expostos. Essa é a primeira vez que ela terá uma participação efetiva junto ao Museu do Folclore. O presépio montado por Ivone tem papel que imita pedra, tecido, serragem e figuras do acervo já existente no local.

"Foi um desafio e uma grande responsabilidade montar o presépio do Museu do Folclore e espero passar às pessoas o mesmo sentimento que tenho em relação ao que monto na minha casa. Estou muito feliz por isso", disse Ivone.