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Em maio, 57,8% dos investidores paulistanos aplicaram em poupança. Estudo feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostrou que o número caiu 2,2 pontos porcentuais em relação ao mês anterior.

A pesquisa mostra ainda que 24,5% dos aplicadores preferiram a renda fixa, enquanto 6,9% investiram na previdência privada. Apenas 4,6% tiveram as ações como preferência.

De acordo com Raphael Swierczynski, CEO da Ciclic, fintech de previdência complementar digital, poupar dinheiro é mais comum no sudeste do país, principalmente em São Paulo.

“Mais de 50% dos clientes da nossa plataforma são do sudeste. Existe um interesse maior por economia e investimento aqui”, explicou o executivo.

Para ele, é uma questão cultural. Quanto mais acesso a informações, mais nos interessamos por finanças. Apesar disso, o especialista acredita que ainda é necessário uma mudança de hábito.

“Não está entre as prioridades do brasileiro se planejar para fazer algumas coisas. Pelo contrário, o consumidor realiza coisas em função daquilo que faz sentido comprar naquele momento”, disse Swierczynski.

A ideia vale também para empreendedores que querem abrir um negócio. Muitos pegam o crédito que conseguiram e montam rapidamente sua empresa, sem antes saber o quanto de dinheiro precisam para que tudo dê certo.

“Por isso, muitos negócios já nascem estrangulados. Não há planejamento”, comentou.

Quando o assunto é aposentadoria, a lógica continua a mesma. Pessoas na faixa etária dos 20 anos acreditam que o futuro está longe e não precisam se preocupar com a vida de aposentado.

Para o CEO, isso é um erro. “Se eles contribuírem para uma previdência agora, no fim da jornada, terão uma grande parte do dinheiro que foi rendido”.

Outro fator que atrapalha a prática de poupar é o consenso de que guardar dinheiro é difícil. “É uma questão de disciplina ao invés de capacidade”, afirmou.

Educação financeira

Apesar do especialista acreditar que as pessoas estão cada vez mais indo atrás de informações sobre economia, a mudança de hábito deve começar desde a época da escola.

Não há dentro do currículo escolar uma disciplina sobre educação financeira. Os jovens vão para a faculdade sem terem muito contato com o assunto.

“É muito raro ver pessoas debatendo sobre dinheiro abertamente. Isso é cultural. Nos Estados Unidos, é muito normal falarem sobre finanças em um ciclo de amigos”, comentou o Raphael Swierczynski.