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O combate ao tráfico e o desenvolvimento de políticas públicas são as principais ações defendidas pelos paulistanos para melhorar a situação da Cracolândia. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Ibope em parceria com a ONG Rede Nossa São Paulo.

Divulgada ontem (18), a análise indica que 59% dos moradores da capital veem o combate à venda de drogas como uma medida importante para reduzir os problemas da Cracolândia, região no centro da cidade em que centenas de pessoas usam crack diariamente há décadas.

Já a formulação de políticas públicas com atuação conjunta de diversas áreas – como saúde, segurança pública e assistência social – foi mencionada por 53% dos 800 indivíduos entrevistados entre os dias 5 e 22 de abril.

Também apareceram entre as opções com mais votos a construção de unidades de saúde na Cracolândia (43%) e o incentivo a projetos sociais (33%).

Segundo o porta-voz da análise, os resultados mostram que a maioria dos paulistanos não advoga por soluções drásticas, já que as alternativas mais rigorosas apresentadas na pesquisa, como o uso das Forças Armadas, tiveram menor apoio.

“As hipóteses mais agressivas apareceram entre as que conseguiram menos defensores”, argumenta Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.

Por outro lado, ele afirma que uma das possíveis interpretações para o apoio ao combate ao tráfico é a de que os paulistanos respaldam a política de guerra às drogas. De acordo com o especialista da Rede Nossa SP, o uso intensivo da polícia e a criminalização dos usuários “não deu certo em lugar nenhum do mundo”.

Outra interpretação para a escolha pelo combate ao tráfico, segue ele, é a de que a população quer a descriminalização das drogas. “Essa opção poderia realmente reduzir o problema”, afirma o entrevistado.

Perfis

Segundo a pesquisa da ONG, o perfil predominante entre os paulistanos que defendem o combate ao tráfico é composto por pessoas mais velhas, pertencentes à classe C, com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos por mês.

Já entre os que preferem o desenvolvimento de políticas públicas, há maioria de pessoas mais escolarizadas, das classes A e B, com renda familiar superior a cinco salários mínimos.

No recorte entre as regiões da cidade, o apoio recebido pelo combate ao tráfico foi maior nas zonas sul, leste e centro, enquanto o desenvolvimento de políticas públicas foi mais defendido nas zonas norte e oeste da capital paulista.