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Para a maioria dos paulistanos (53%), o nível de corrupção na administração municipal aumentou nos últimos 12 meses. A desconfiança dos moradores da cidade foi mostrada na pesquisa “Viver em São Paulo: Transparência e Participação Social na Cidade”, divulgada ontem (14) e está ligada ao uso restrito sobre os meios de informação oficiais.

A pesquisa mostra que o canal de participação popular mais utilizado é o 156. Quatro em cada dez paulistanos já fizeram algum tipo de denúncia ou pedido por meio do canal. Apesar da Lei de Acesso à Informação (LAI) estar regulamentada no município, apenas um em cada dez já utilizou o recurso em São Paulo. Além disso, 37% dos entrevistados afirmou nunca ter usado nenhum dos canais investigados.Para o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, a existência dos canais de transparência é importante, mas não suficiente. Ainda falta a divulgação desses serviços.

Transparência

“Por mais que você, enquanto Prefeitura, disponibilize todos os dados em um site, é necessário ainda a mobilização e estímulo para a população se apropriar dessas informações. Desse jeito, a percepção que os paulistanos têm é de que a administração municipal não é transparente”, disse Sampaio.

Realizado pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo, o estudo aponta que 41% dos entrevistados acreditam que a corrupção “aumentou muito” e 12% opinam que “aumentou um pouco”. Entre essa parcela da população, a maioria é mais velha, tem renda familiar mensal de até dois salários mínimos e reside nas regiões Leste e Sul da cidade. A percepção de aumento da corrupção diminui quanto maior é a escolaridade e renda dos entrevistados.

No entanto, a imagem que os paulistanos têm da Prefeitura está bastante prejudicada. A grande maioria dos paulistanos (85%) vê pouca ou nenhuma transparência da Prefeitura na divulgação de dados da gestão, de metas e prestação de contas. Essa opinião é mais comum entre jovens com renda familiar de dois até cinco salários mínimos, de acordo com a pesquisa.

Prefeituras regionais

A maioria dos paulistanos (81%) é favorável à maior autonomia e participação das prefeituras regionais na gestão dos serviços públicos. Quase o mesmo percentual (82%) quer eleger diretamente os prefeitos regionais. Os dados mostram que a população quer a descentralização da administração municipal.

Quando o assunto é orçamento, 88% dos paulistanos gostaria de ser informado sobre o quanto é destinado à área de abrangência de sua prefeitura regional. Esse interesse foi registrado quanto maior a escolaridade, a renda e a classe do entrevistado.

De acordo com Sampaio, o modo como São Paulo é governada não agrada a população e o desejo dos paulistanos é ter mais participação nas decisões da cidade. “A questão da participação é transversal a todas as políticas públicas. Se não há participação, significa que todas as políticas da cidade estão indo mal”, comentou o entrevistado.

Além disso, ele afirmou que o cenário da cidade mostra que estamos distantes de reverter a desigualdade. “Só conseguiremos reduzir a desigualdade quando houver a ampliação da participação da população”, completou.