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É sempre válido refletir sobre formas inovadoras de ensino, em especial, nas ciências contábeis. Essa reflexão objetiva uma mudança necessária no papel da educação superior, cujos propósitos e esgotamento do modelo atual para formação são discutidos há tempos. Na questão, o grande volume de conhecimento gerado pelas ciências e a rápida obsolescência tornam fundamentais a atualização e inovação do ensinado nas graduações.



A metodologia tradicional de ensino é incapaz de promover aprendizagem significativa dos conceitos e de encorajar o desenvolvimento de outros entendimentos valorizados na vida profissional e social. Já o Problem Based Learning (PBL), em português Aprendizado Baseado em Problemas (ABP), é ferramenta destinada a amenizar impactos negativos após a vida universitária e pode ser compreendido como método colaborativo, construtivista e contextualizado: situações-problema são usadas para iniciar, direcionar e motivar o aprendizado. No método tradicional, o estudante é agente passivo e só absorve conhecimentos e experiências em aulas expositivas. É considerado um método flexível e de rápida transmissão de conteúdo visto que pode ser utilizado por qualquer profissional com domínio da matéria. Na contabilidade, a utilização deste modelo limita-se a memorizar regras, definições, procedimentos e transforma-se num obstáculo à formação para o pensamento crítico.



No PBL, o estudante é responsável pela própria aprendizagem e o método estimula o pensamento crítico, as habilidades para solução de problemas e a aprendizagem de teorias e conceitos. Permite que alunos se aproximem da realidade das empresas e os prepara quanto às necessidades do mercado. Ressalta-se que isso somente é possível por meio de docentes capacitados, treinados e experientes.



Com o PBL nas Ciências Contábeis, o aluno é exposto a situações motivadoras por problemas que abranjam o currículo. Um dos fundamentos básicos é ensinar o aluno a buscar conhecimentos por meios variados. O professor se torna um tutor que orienta, explica conceitos e sana dúvidas quanto a projeto e tarefas. Em pequenos grupos, os alunos discutem sobre um problema apresentado sob supervisão do tutor. Nisso, o PBL estimula o aprendizado para um conhecimento mais profundo e aumenta o senso de responsabilidade do aluno, que precisa ter vontade de estudar para aprender por conta própria, demonstrando mais iniciativa e respeito aos prazos estabelecidos.



O PBL estimula a leitura, o emprego do raciocínio lógico, a discussão, incita o aluno a investigar, a resolver problemas e favorece a aquisição do conhecimento mais significativo e duradouro. Ainda desenvolve habilidades, atitudes profissionais positivas e inclui a capacidade de trabalho em grupo, gera aumento de comunicação e parcerias entre os estudantes e permite o cruzamento de informações de diferentes disciplinas e especialidades.



Marcello Lopes é sócio diretor da LCC Auditores e Consultores



marcello.lopes@lccauditores.com.br