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Em 2017, 47% dos paulistanos utilizavam o transporte público com frequência. A porcentagem caiu para 43% em 2018, como mostra a pesquisa “Mobilidade Urbana na Cidade”, divulgada ontem (18) pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência.

A pesquisa aponta para uma inversão de prioridade no hábito dos paulistanos. A população está preferindo utilizar o transporte particular do que o coletivo.

Com relação ao ano passado, houve um aumento de 2% no índice daqueles que usam o carro. A marca alcançou 24%. O número de pessoas que utiliza veículos por aplicativo também aumentou: foi de 2% para 5%.

“São três as principais consequências de se priorizar os carros: você acaba aprofundando a desigualdade, porque quem não tem carro não pode circular pela cidade; você piora o trânsito; e tem a questão do clima também, porque o automóvel traz muitos problemas ambientais”, comentou Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo.

Para o especialista, a perda da qualidade do transporte público pode estar estimulando os paulistanos a utilizarem o veículo particular. A pesquisa mostrou que o fato de os ônibus serem muito cheios faz com 37% das pessoas não utilizem o modal com tanta frequência. No ano passado, esse índice era de 31%.

Outro fator destacado é o tempo de espera dos ônibus, assim como o tempo de viagem. O número de paulistanos que mencionou o trajeto ser demorado como razão para não utilizar o modal frequentemente aumentou de 24% para 31%. A alternativa “o ônibus demora muito para passar” marcou 23%, sendo que ano passado estava em 18%.

No entanto, o levantamento aponta para uma redução de dez minutos no tempo médio de deslocamento diário da população. Ainda assim, os paulistanos gastam 2h43, incluindo todas as atividades.

A redução do tempo não necessariamente diz que há mais qualidade. “A hipótese que temos é que, com o alto nível de desemprego, menos gente vai usar o transporte na cidade e o trânsito diminui. Além disso, há algumas medidas da Prefeitura que atrapalham que os mais pobres utilizem o serviço”, explicou Sampaio.

A piora na avaliação da qualidade do serviço está alinhado à tendência de queda na predisposição dos usuários de carro em deixar de usá-lo. Caso houvesse uma boa alternativa de transporte público, 41% dos paulistanos responderam que “com certeza” deixariam de utilizar o automóvel, representando uma queda de 10% em relação ao ano passado.

Bicicleta

O levantamento da Rede Nossa mostra que os paulistanos avaliam negativamente a manutenção das ciclovias da cidade. Quase metade (48%) dos entrevistados considera “ruim ou péssima”, 34% responderam ser “regular” e 11% disseram ser “boa ou ótima”.

Em relação a 2017, houve um aumento de sete pontos percentuais no índice de pessoas favoráveis à ampliação das ciclovias e ciclofaixas. O estudo de 2018 registrou 78%.

No entanto, o aumento no uso da bicicleta foi pequeno: de 1% para 2%. Os entrevistados destacaram o receio de furtos e roubos (22%) como principal causa para o desestímulo à utilização do modal.

De acordo com o estudo, “mais segurança para os ciclistas” (30%) está entre os principais estímulos para fazer com que a população use mais bikes.