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O crescimento de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista no ano passado, divulgado ontem (27) pela Fundação Seade, deve ser melhor que o desempenho da economia brasileira no período, cuja expansão projetada pelo mercado fica próxima de 1%.

Para 2018, especialistas consultados pelo DCI indicam que São Paulo terá mais um resultado superior à média nacional. Segundo eles, o ritmo mais acelerado da retomada na região está ligado a maior diversidade da indústria paulista. “Há uma maior complexidade desse setor no Estado, o que facilita o processo de recuperação”, afirma Regina Marinho, economista da Fundação Seade.

Ela destaca a performance dos ramos automotivo e de máquinas e equipamentos. Ambos avançaram em 2017 e devem continuar crescendo nos próximos meses, diz a entrevistada.

Em relação à produção de automóveis em São Paulo, ela diz que foi adotada uma “estratégia clara” de incentivo às exportações. “A busca por outros mercados funcionou e está possibilitando esse avanço do ramo.”

Sobre as vendas de máquinas e equipamentos, Marinho afirma que a retração da área durante os anos de crise econômica criou uma base de comparação bastante fraca, que agora favorece a recuperação dos dados.

A indústria paulista teve crescimento de 1,3% no ano passado, de acordo com a Seade. O melhor resultado foi registrado pelo setor de serviços (1,6%), enquanto a agropecuária recuou 0,3%. Com o avanço em 2017, o PIB paulista foi estimado em R$ 1,9 trilhão.

Na comparação entre o quarto trimestre de 2017 e igual período de 2016, o avanço foi mais expressivo. O PIB de São Paulo teve aumento de 3,9%, com altas da agropecuária (1,4%), indústria (6,1%) e serviços (2,8%).

Já entre novembro e dezembro de 2017, a atividade local teve expansão de 0,7%. Houve crescimento na indústria (2,4%) e nos serviços (0,2%), enquanto a agropecuária recuou 0,3%.

Recuperação

O crescimento da economia paulista pode ficar perto de 3% em 2018, afirmam as entrevistadas. “Devemos ver um avanço dos três setores [agropecuária, serviços e indústria], com uma melhora do investimento, que passou muito tempo em queda”, afirma Virene Matesco, professora de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Já Marinho diz que o desempenho de São Paulo deve seguir um pouco acima do brasileiro. Para este ano, os analistas de mercado projetaram, no último relatório Focus, uma alta de 2,89% para o PIB do Brasil.

Sobre o setor de serviços, Matesco diz que o resultado de 2018 deve ser ajudado pela melhora do consumo, causada pelo fortalecimento da indústria. “Em 2017, a liberação de recursos do FGTS e do PIS/Pasep deu início à recuperação da demanda local”, lembra ela.

A especialista diz também que a economia paulista parece estar em um estágio mais avançado de retomada, em comparação com outros Estados do País. “No Rio de Janeiro, por exemplo, o mercado imobiliário ainda está parado. Em São Paulo, as vendas de imóveis já voltaram a aumentar.”

Segundo ela, a recuperação paulista é fundamental para a melhora da economia brasileira. “São Paulo representa cerca de 30% do PIB nacional. O avanço da indústria local no ano passado é um dos motivos para a retomada da economia [do País] no período”, avalia.