Publicado em

A economia do Grande ABC deve demorar mais de três anos para recuperar o que vem perdendo na geração de riqueza desde 2014. Segundo um especialista ouvido pelo DCI, com a diminuição da atividade industrial e com a redução de arrecadação das prefeituras, a região vai precisar se estruturar em políticas de longo prazo para se fortalecer.

O Boletim EconomiABC, elaborado pelo Observatório Econômico da Metodista e divulgado neste mês, apontou que, de 2014 a 2016, a economia da região retraiu em cerca de 27% a geração de riqueza. Além disso, o crescimento econômico ficou em 2% em 2017 e em 0,2% no ano seguinte.

A retração é bastante significativa, considerando o curto período, avalia o economista da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio. O especialista considera que o resultado negativo pode ser atribuído, principalmente, à redução das atividades industriais, que representam quase 24% do PIB do Grande ABC.

Um exemplo do enxugamento da indústria na região é o anúncio de encerramento das operações da fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, até o final de 2019.

A medida pode significar a demissão de três mil trabalhadores, sem considerar os funcionários indiretos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Até a próxima quarta-feira (31), serão finalizados 750 postos de trabalho, de acordo com o que foi divulgado pelo Sindicato e confirmado pela companhia. “O setor não está seguindo mais o caminho ‘fordista’, com linhas de produções muito tradicionais. Hoje, a dinâmica é mais flexível e com inovação. O ABC não está tão preparado para este novo perfil de mercado”, explica.

Segundo Maskio, além de precisar se desprender das formas tradicionais, o ABC também precisa se estruturar para diminuir sua dependência de importação de insumos industriais. “O conjunto de fornecedores que tínhamos aqui acabou sendo atropelado pela facilidade de importação. Hoje, os produtos vindos de fora não encontram concorrência dentro da nossa cadeia produtiva”, diz.

Além disso, o especialista considera que faltam políticas de longo prazo para manter a economia atrativa na região. Maskio explica que, de forma geral, a articulação das cidades para aumentar a atratividade acontece quando os municípios já estão passando por algum problema financeiro ou de estruturação. O especialista explica que tanto as discussões sobre o tema quanto as ações para alavancar a economia precisam ser contínuos. “Os gestores públicos precisam pensar além do seu período de quatro anos. Isso ajudaria muito a recuperação econômica da região”, afirma Maskio.

Neste mês, por meio do Consórcio ABC, as sete cidades da região anunciaram estar se mobilizando para atrair as indústrias química, petroquímica e de ferramentaria. A intenção é que as empresas possam se instalar em um parque tecnológico que será construído em Santo André. De acordo com Maskio, o fato de os municípios estarem focados no mesmo objetivo traz mais confiança para a recuperação econômica. O docente explica que a delimitação territorial e até mesmo empresarial entre as cidades é sutil, o que exige um trabalho em conjunto. Na visão dele, outro fator que pode atuar como um facilitador na recuperação é a aproximação entre as esferas de governo municipal, estadual e federal.