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O Produto Interno Bruto (PIB) das cidades do ABC paulista avançou 5,4% no ano passado. É o que aponta o Índice de Atividade Econômica do ABC (iABC), divulgado ontem (20) pela Universidade Metodista de São Paulo.

A expansão se deve, em grande parte, à fraca base de comparação constituída durante a crise econômica. No biênio 2014-2015, o PIB do ABC recuou mais de 20% – e apenas parte dessa queda foi recuperada em 2016, quando foi registrado crescimento de 4,9%.

Entretanto, o aumento no volume de investimentos confirmados no ABC, que chegou a US$ 5,03 bilhões no ano passado, traz algum otimismo em relação ao futuro da atividade econômica na região. Para efeito de comparação, em 2012, antes da recessão, o volume de investimentos confirmados ficou em US$ 918 milhões.

De acordo com o porta-voz do estudo, o setor automobilístico foi responsável por uma parcela importante desse investimento, além de ser fundamental para a recuperação do PIB da região.

“[Os aportes] vieram, principalmente, de empresas de grande porte, como GM, Volks e Scania. [Essas companhias] têm um impacto bastante relevante para a expansão da cadeia produtiva do ABC”, afirma Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Metodista.

Sobre a tendência para o setor automobilístico em 2018, o especialista afirma que a volatilidade do câmbio no Brasil e na Argentina, um dos principais compradores dos produtos do ABC, deve impedir um desempenho semelhante ao do ano passado.

A indústria responde por 23,2% do PIB em Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano, superando a proporção vista no PIB nacional, que fica em 18,5%.

Maskio também cita a incerteza causada pelas eleições deste ano entre os motivos para um resultado mais fraco do PIB nos próximos meses. Segundo ele, a economia do ABC deve crescer cerca de 3,5% no acumulado de 2018.

Mercado de trabalho

A Metodista também divulgou, ontem, o Boletim EconomiABC, com informações sobre a atividade econômica da região durante os primeiros meses de 2018.

O relatório destaca que, até maio, o ABC registrou acréscimo de 5.754 empregos formais, contra perda de mais de 3,6 mil em igual período do ano passado. A melhora foi puxada pelos segmentos da indústria de transformação e de serviços.

O desempenho recupera apenas uma pequena parcela dos 89 mil postos formais perdidos entre 2014 e 2017, dos quais mais de 57 mil foram cortados da indústria de transformação.

Com isso, a taxa de desemprego ficou em 16,5% da População Economicamente Ativa (PEA) em abril, abaixo dos 18,4% vistos em igual mês do ano passado.