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A criação de 11 polos de desenvolvimento econômico, anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo em maio, pode sinalizar a possibilidade de melhora na economia paulista em um longo prazo, avaliam especialistas.

Para o professor de economia do Ibmec SP Walter Franco, se a medida for bem conduzida, vai poder amenizar o cenário negativo atual, de desemprego, de falta de investimentos e até mesmo de dificuldades na articulação política. “As ações do Estado no sentido de fomentar e de ser um facilitador para o desenvolvimento dos municípios é fundamental”, afirma.

Conforme a vocação econômica de cada município, a iniciativa prevê pacotes de benefícios setoriais para a indústria. A política tem seis pilares principais, entre eles a desburocratização tributária e regulatória, e a qualificação de mão de obra.

Desse modo, dependendo de qual polo vocacional a cidade se encaixar, como de serviços tecnológicos ou automotivo, vai ganhar políticas de fomento a investimentos e desenvolvimento.

Segundo o professor de administração pública da Fundação Getúlio Vargas Gustavo Fernandes, dependendo da forma com que o Estado for conduzir a medida, ela pode se tornar muito necessária. “Com isso, é possível que os municípios menores não fiquem tão para trás das cidades com uma economia mais desenvolvida”, explica.

Para Franco, do Ibmec, no entanto, embora a medida possa culminar em um cenário positivo nos próximos anos, os riscos de uma possível guerra fiscal podem se fortalecer. “Para que isso não aconteça, é importante ter polos pautados na busca por vocação.” De acordo com ele, isso faz com que os municípios descubram suas vantagens competitivas e as transforme em benefícios sem precisar “brigar” por atratividade com outras cidades.

Já Fernandes, da FGV, considera que da maneira que os polos foram projetados pelo Estado, com mais foco em desburocratização e formação de mão de obra, a guerra fiscal – embora não descartada – é mais difícil de ocorrer. “Os riscos de uma guerra fiscal são mais fortes quando há somente políticas de isenção de impostos”, observa o professor.

Demanda

Piracicaba, cidade do interior paulista distante 156 quilômetros da capital, está em 5 dos 11 polos de desenvolvimento econômico. O município está classificado como centro de serviços tecnológicos; de produção de alimentos e bebidas; automotivo; de derivados de petróleo; e de máquinas e equipamentos.

O professor e economista da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) Bruno Pissinato considera que a nova forma de fomentar a atividade industrial nos municípios paulistas vai ajudar as cadeias produtivas locais.“Na maior parte das cidades do Estado são necessárias medidas de desburocratização tributária e de simplificação dos processos setoriais”, analisa.

Além de Piracicaba, outras cidades também se enquadraram em mais de um polo econômico. Campinas está em cinco e a capital paulista, em sete. De acordo com Pissinato, todas as iniciativas que visam a criação de um ambiente favorável para as empresas e, consequentemente, para a geração de emprego e renda são importantes. Segundo o docente, a missão dos polos é otimizar as regiões dadas as vantagens que cada uma já oferece conforme a dinâmica do mercado.