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O projeto de privatização do Complexo do Anhembi permite um aumento de 68% do potencial construtivo do terreno, de 400 mil metros quadrados para 1,7 milhão de metros quadrados. A mudança vem sido criticada por possibilitar a verticalização do espaço.

A versão final do Projeto de Intervenção Urbana (PIU) do Anhembi foi aprovada na Câmara Municipal de São Paulo com 41 votos a favor e 11 contrários. Agora, ela segue para a sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB). A venda do complexo, de acordo com a Prefeitura, deve acontecer em setembro e será um dos primeiros planos do pacote de desestatização da cidade a ser colocado em prática.

Além do aumento da área, as outras principais mudanças são: a construção de um parque habitacional na região com recursos da privatização; a privatização da SPTuris, empresa de turismo e eventos de São Paulo; e investimentos públicos para a Zona Norte com as outorgas onerosas.

O vereador Gilberto Natalini (PV) foi um dos membros da Câmara que votou contra o projeto. Ele fez uma análise da PL com advogados, urbanistas e arquitetos e todos chegaram à conclusão de que esse é um negócio imobiliário. “O projeto disponibiliza 1,7 milhão de metros quadrados para a construção de prédios sem limite de altura, com isenção de outorga onerosa. É um presentão para as incorporadoras imobiliárias”, afirmou o vereador.

Além dessa crítica, Natalini também apontou ilegalidade no PIU do Anhembi. “O projeto desobedece ao Plano Diretor e ainda desrespeita a Lei do Zoneamento. É ilegal, porque não seguiram os ritos de mudança desse plano”, explicou.

Com a privatização da SPTuris, não há garantia de manutenção do Pavilhão de Exposições e Palácio de Convenções, apenas do Sambódromo. “A lei não garante nenhum outro órgão público para se responsabilizar com o turismo na cidade. Vão vender a SPTuris sem deixar ninguém no lugar”, apontou o vereador.

De todos os fatores, o que mais gerou debate na Casa foi o aumento da área construtiva. A bancada de apoio à gestão Bruno Covas defendeu a proposta para que o espaço fique mais atrativo para o mercado imobiliário, uma vez que o projeto autoriza a construção de altos prédios.

Para o líder do governo na Câmara, vereador João Jorge (PSDB), a versão final do projeto contemplou as sugestões dos parlamentares e da população, contribuindo assim para uma boa venda do Complexo do Anhembi. “A boa venda traz benefícios para a população, porque vamos poder investir em saúde, educação, transporte público e segurança”, declarou o vereador por meio de nota.