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Cerca de 53% dos paulistanos considera ruim a forma com que a administração municipal realiza a preservação e manutenção de praças públicas na capital paulista.

O dado é de uma pesquisa divulgada ontem, 15, pela ONG Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope e com o Sesc São Paulo. Segundo o levantamento, em cada região da capital, mais da metade dos moradores não estão contentes com a zeladoria em áreas verdes.

O descontentamento dos cidadãos vai ao encontro do novo programa de metas ambientais da Prefeitura para 2019/2020, que prevê a recuperação de 120 praças, canteiros centrais e remanescentes da capital, mais a revitalização de 51 parques.

“A falta de manutenção de praças é um problema antigo. É algo passado de gestão para gestão. O que foi estabelecido nessas novas metas são reformas corretivas e não preventivas, como deveria ser. Isso reflete na insatisfação do paulistano”, diz o professor de meio ambiente e química da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rogério Aparecido Machado.

O secretário adjunto da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Viegas, no entanto, afirma que todas as metas de revitalização dos espaços verdes, incluindo os 51 parques, já estão sendo realizadas. Ele explica que esses itens estão sendo os de maior destaque na agenda ambiental do município.

“Nós também estamos muito concentrados nos processos de concessão do Ibirapuera e de mais cinco parques. Além disso, a projeção é construir mais dez parques na capital paulista. O da Augusta e o do Minhocão são os que estão mais avançados neste sentido”, afirma.

Conforme a pesquisa da Rede Nossa São Paulo, cerca de 60% dos cidadãos são a favor da desestatização dos parques. A maior parte dos favoráveis mora na zona Sul da cidade.

Na visão do professor de ciências sociais da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) José Corrêa Leite, considerando a forma rápida e sem tanta participação popular com que os processos de concessão foram conduzidos, as ações parecem mais uma tentativa de cortar custos e de levantar recursos do que uma medida efetiva na área ambiental.

“Esses processos e outras decisões ambientais precisam ter mais participação civil. Só assim é possível dizer se pode haver uma melhoria nos serviços ou não”, analisa o docente.

O subsecretário de Meio Ambiente garante, no entanto, que a gestão municipal está reforçando a criação de chamamentos públicos para garantir o apoio e a gestão de parques. A ideia seria realizar uma parceria com pessoas jurídicas e físicas para que estas possam fazer doações e investimentos nos espaços.

Conscientização

Entre as medidas ambientais tomadas pela Prefeitura está a campanha de conscientização para o combate à sujeira na cidade. A ação prevê instalar todos os domingos um inflável em formato de saco de lixo gigante em pontos estratégicos da cidades chamando a atenção da população para o problema. A campanha será divulgada nos canais de comunicação e nas redes sociais do município.

Além disso, de acordo com o subsecretário, a gestão municipal já está promovendo um curso de cerca de 80 horas para os professores da rede municipal se prepararem para repassar os conteúdos ambientais nas salas de aula. A intenção é formar uma média de mil profissionais.