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Estabelecimentos privados (indústria, comércio e serviços) do município têm até 6 de setembro para informar à Prefeitura o volume diário de lixo que descartam. A Resolução 134/2019, de julho, é da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb).

A coleta domiciliar comum atende 100% do município, segundo o órgão, mas o artigo 141 da Lei 13.478/2002 determina que todos os estabelecimentos que produzem acima de 200 litros de lixo por dia devem contratar uma empresa privada para a coleta, transporte, tratamento e destinação do resíduo.

O cadastro na Prefeitura, feito por meio um formulário no site https://www.ctre.com.br/login, vai ajudar a Amlurb a identificar quais são as empresas que se enquadram ou não como grandes geradores de lixo e, assim, fazer toda a gestão dos rejeitos sem que esses acabem sendo descartados de maneira incorreta.

Considerada positiva por 54% dos paulistanos, segundo pesquisa encomendada à Opinion Box pela Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Resíduos de São Paulo (Abrager), a coleta na cidade funciona bem na avaliação do ambientalista e sociólogo Edson Domingues. “O problema é o descarte irregular, são os pontos viciados.”

Especialista na área de resíduos, Domingues diz que é cultural na cidade o descarte de entulhos da construção civil e reconhece que a cidade tem feito um esforço para combater essa irregularidade. “A solução depende da participação da sociedade. A administração municipal falha na falta de divulgação e de ampliação dos ecopontos”, critica.

Na avaliação do ambientalista, há uma falha também quando não se dá valor agregado aos resíduos descartados. “Existe na cidade reciclagem de entulho e de madeira, mas isso não é difundido”, reclama. “A partir do momento que você paga pelo resíduo, o cidadão não joga mais na rua, ele vai levar a um lugar onde possa receber algum dinheiro.”

Em 2018 foram recolhidos cerca de 3,7 milhões de toneladas de resíduos na cidade, segundo informações da Amlurb. O acúmulo de lixo produzido no município é apontado por cerca de 80% dos paulistanos como um dos principais problemas de saúde pública e um grande causador de focos de doenças, de acordo com a pesquisa realizada pela Abrager com 300 entrevistados.

“Fica claro que a correta gestão de resíduos residenciais e comerciais é uma demanda latente da cidade de São Paulo”, comenta o diretor-executivo da entidade, Julio Mirage.