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A proibição de canudos plásticos em estabelecimentos de São Paulo, como restaurantes, segue uma tendência que os comerciantes já estavam trabalhando para agradar a demanda paulistana.

A análise é do sócio do Muda Organic Burger & Bar, localizado na Faria Lima, Fábio Frugoli. “Os clientes estão mais conscientes em relação à sustentabilidade e os restaurantes estão se estruturando para oferecer iniciativas neste sentido”, diz.

A medida foi sancionada pela prefeitura em junho e, além de servir para bares e restaurantes, também vai abranger clubes noturnos e eventos musicais de quaisquer espécies. Os estabelecimentos terão cerca de 180 dias para se adaptar e substituir os produtos de plástico.

O Muda foi inaugurado no último mês e já nasceu com a proposta de oferecer aos clientes hambúrgueres com matéria prima orgânica, embalagens biodegradáveis, canudos de macarrão e copos feitos à base de mandioca. “Por isso, a proibição não vai acarretar nada, somente agrega”, explica o sócio do Organic.

Assim como Frugoli, o restaurateur que lidera o Felix Bistrot, localizado na Granja Viana, Emanuel Bleier avalia que o impacto da proibição de canudos plásticos vai ser positivo.

O Felix Bistrot começou a usar alternativas ao canudo plástico, como os de alumínio, em 2017. Além disso, o restaurante adotou outras práticas sustentáveis, como a separação de resíduos conforme a composição dos itens e o envio desses materiais para empresas de reciclagem.

O restaurateur considera que, em nível nacional, São Paulo é o mais avançado em relação às iniciativas sustentáveis. Mesmo assim, ele considera que ainda há muitos fatores a serem trabalhados para que o município se desenvolva no tema.

“O cenário ideal seria aquele em que não precisariam leis obrigando determinada ação sustentável por parte dos estabelecimentos”, explica.

Entretanto, Bleier não diminui a importância da medida tomada pela prefeitura. Segundo ele, a proibição oficializada abrange aqueles que não tem acesso à informação e que não compreendem o tema sustentabilidade.

Plástico

Embora a proibição de canudos tenha sido recebida de braços abertos pelos restaurantes, a cadeia produtiva de plástico pode sentir os efeitos negativos da medida, segundo o ecólogo e CEO da startup Polen, que conecta indústrias com empresas que fazem a reciclagem de resíduos, Renato Paquet.

“Tirar o canudo sem analisar o impacto econômico, pode prejudicar toda uma cadeia”, explica.

De acordo com o especialista, em muitos casos, o plástico é a solução e não o problema. Ele afirma que a cadeia de produção do material gera emprego e renda, fatores que podem ser impactados com a proibição de canudos ou de qualquer produto descartável.

Além disso, para Paquet, a proibição não representa um grande avanço em relação aos principais problemas de sustentabilidade da capital. “Para que o plástico não vá parar nos mares, é preciso investir na melhoria do tratamento de esgoto, coleta e reciclagem de resíduos”, diz.

Para o ecólogo, o município ainda precisa trabalhar mais a conscientização dos cidadãos e investir na cadeia de reciclagem. “Só assim para a proibição de canudos surtir grandes efeitos”, afirma. Ele explica que, caso isso não aconteça, os estabelecimentos podem aumentar a utilização de copos descartáveis, o que seria prejudicial.