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Nos próximos 12 meses, 20 mil crianças que estudam em escolas municipais da Zona Sul da capital receberão atendimento oftalmológico gratuito. O objetivo do projeto é impedir que deficiências visuais continuem tirando jovens dos colégios - segundo o Ministério da Educação (MEC), 22,9% da evasão escolar no País é causada por limitações oculares.

A ação, que começou no início deste mês, é tocada pelo Instituto Verter, responsável pelos exames médicos, e pela empresa Ver Bem, que confecciona os óculos para os alunos.

As crianças atendidas estão na faixa etária de 3 a 15 anos e frequentam Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) e Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), que fazem parte de 16 Centros de Educação Unificados (CEUs).

Para a realização do programa, as associações vão usar R$ 1,6 milhão. O valor foi captado junto ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad), da Prefeitura de São Paulo, afirmou Ralf Toenjes, fundador da Ver Bem.

Segundo ele, já é vislumbrada a expansão do programa. “Esse projeto inicial é apenas um piloto. A ideia é atender todo o município nos próximos anos.”

O projeto também prevê que, para cada óculos entregue durante os atendimentos, outro seja repassado para a ONG Renovatio, que doará os acessórios em comunidades carentes.

Toenjes, que também coordena a ONG, disse que deseja doar um milhão de óculos até 2021. “Até agora, entregamos de 25 mil óculos em 17 estados do País.”

Outro objetivo da ação é ampliar a base de dados sobre problemas oftalmológicos em crianças. Em nota enviada ao DCI, Rodrigo Galvão Viana, gestor executivo do Instituto Verter, afirmou que as informações coletadas pelo programa serão utilizados para produção científica, “com o objetivo de trazer dados relevantes sobre o estado da saúde ocular, principalmente das crianças na primeira infância e jovens ainda em fase escolar”.

Saída da escola

De acordo com os dados mais recentes do MEC, a maior taxa de evasão no Brasil, entre 2014 e 2015, foi vista na primeira e na segunda séries do Ensino Médio, com o abandono de 12,9% e 12,7%, respectivamente, dos alunos matriculados. Em um primeiro momento, o projeto municipal não vai atender os alunos desses períodos.

Já o nono ano do Ensino Fundamental, que será acolhido pelo projeto, foi deixado por 7,7% dos jovens no mesmo período.

No recorte regional, o levantamento do MEC não coloca São Paulo entre os estados com maiores taxas de evasão. Nessa lista, tem destaque Maranhão, Paraíba e Acre, na análise dos primeiros anos do Ensino Fundamental, e Pará e Mato Grosso do Sul, na observação dos últimos anos do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, o saldo negativo é maior no Pará.