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O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) da cidade de São Paulo está em um patamar considerado mediano, sendo superado por várias capitais brasileiras. É o que mostra uma pesquisa do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), realizada em parceria com a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

Em uma escala que vai de zero (baixo desenvolvimento) a um (alto desenvolvimento), o ISLU de São Paulo fica em 0,658, abaixo de cidades como Palmas (0,699), Salvador (0,678) e Recife (0,677), que também ficam em patamar mediano, e de Rio de Janeiro (0,745) e Curitiba (0,711), que atingem um nível apontado como alto. Entre os municípios paulistas com mais de 250 mil habitantes, os melhores resultados são de Santos (0,729) e Santo André (0,728).

Segundo Jonas Okawara, economista do Selurb, é o desempenho ruim da reciclagem paulistana que puxa a pontuação para baixo. Citando dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), mantido pelo Ministério das Cidades, o entrevistado diz que apenas 0,05% do lixo coletado em São Paulo é reciclado, porção bastante inferior à média nacional (3,7%), que segue em patamar baixo.

Também considerado para a composição do ISLU, o desenho do orçamento da capital não colabora para a obtenção de uma pontuação mais elevada, afirma Okawara. “Diferentemente de algumas cidades do Brasil, não há, em São Paulo, uma taxa específica para financiar a limpeza urbana, o que pode prejudicar a cidade em momentos de crise”. O especialista pondera que a administração municipal conseguiu driblar essa limitação no período mais recente de recessão, encerrado no ano passado.

Na opinião dele, é importante que seja instaurado um tributo municipal específico para a coleta de lixo, como aquele que vigorou no começo da década passada, durante a gestão de Marta Suplicy. “Muita gente é contra a colocação de uma nova taxa, principalmente porque há um desconhecimento grande sobre a complexidade do serviço de limpeza urbana”, avalia Okawara.

Por outro lado, a cidade tem desempenho acima da média em dois quesitos: engajamento do município e impacto no meio ambiente. O primeiro é puxado para cima pela extensão da coleta de lixo, que alcança boa parte da população paulistana. O segundo tem resultado positivo pois a maior parcela do lixo produzido na região é destinada a aterros sanitários, e não lixões. De acordo com economista do Selurb, esses pontos impediram que o ISLU de São Paulo ficasse em um patamar mais baixo neste ano.

Questionada pelo DCI sobre as conclusões da pesquisa, a Prefeitura da capital não respondeu até o fechamento desta edição.

Política nacional

O ISLU foi criado em 2016 para medir o grau de aderência das cidades às metas e diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que começou a vigorar em 2010.

Segundo a pesquisa deste ano, 53% das cidades continuam destinando o lixo incorretamente, o que mantém diversos lixões em funcionamento pelo Brasil.

O levantamento também mostra que 61,6% dos municípios ainda não estabeleceram fonte de arrecadação específica para custear a coleta de lixo. Outra conclusão é que a coleta domiciliar não atende 24% das regiões analisadas no País.