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Mesmo que o setor turístico de São Paulo esteja otimista com o aumento de viagens devido a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre o combustível de aviação, sozinha, a medida ainda não é suficiente para alavancar o turismo no Estado.

De acordo com a presidente do conselho de turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomércioSP), Mariana Aldrigui, para a ação ser mais efetiva, é necessário que o Estado invista em infraestrutura e no acesso entre as cidades.

Isso porque nem todas as cidades que podem ser beneficiadas pela medida possuem aeroportos ou rodovias em boas condições, o que pode prejudicar a locomoção de visitantes. Desse modo, mesmo que a quantidade de viagens turísticas aumente e que o preço de passagens diminua, não há certeza na garantia de que os turistas fiquem por mais tempo e que conheçam diferentes regiões em São Paulo, explica.

Na terça-feira (05), o governo estadual reduziu o ICMS sobre o combustível de aviões (QAV) de 25% para 12%. Demanda antiga do setor, as companhias aéreas, em contrapartida, vão ampliar de sete para 13 o número de cidades atendidas pelo transporte.

As empresas aéreas assumiram o compromisso de criar 64 voos nacionais em até 180 dias. Os destinos e paradas das novas decolagens ainda estão sendo decididos e formalizados junto a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

O setor espera que leve um tempo para o brasileiro entender que está mais fácil e barato viajar, explica Mariana. Com isso, com exceção das companhias aéreas, os outros segmentos que se beneficiam do turismo, como hotelaria, devem começar a ver resultados somente no final de 2019.

“Até o momento, a medida ainda não é uma vantagem para o setor, mas é uma possibilidade de competir com Estados mais consolidados no turismo, como o Rio de Janeiro”, diz.

A vantagem do setor paulista é o turismo de negócios. Segundo ela, a capital do Estado é o centro econômico do País e da América do Sul. Além disso, cidades do interior, como São José dos Campos e Campinas, são polos de inovação e tecnologia, o que atrai um grande público corporativo. “As companhias aéreas estão de olho nisso. Essas metrópoles devem receber prioridade no fomento ao turismo”, afirma.

Além do aumento de voos, as empresas também anunciaram a criação de um fundo de R$ 40 milhões para custear um plano de marketing que influencie o turista a permanecer por mais tempo em São Paulo.

Para Mariana, considerando todo o setor paulista, a ação é uma “promoção confinada”, visto que a escolha das cidades que farão parte das campanhas é feita conforme os interesses das companhias aéreas. “Claro que, para os comerciantes e hoteleiros dessas regiões, os investimentos vão trazer bons resultados”, diz.

Arrecadação

Com a nova alíquota de 12%, a arrecadação tributária esperada para 2019 reduziu de R$ 627 milhões para R$ 422 milhões. No entanto, a compensação esperada é de R$ 316 milhões.

A professora de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas Leila Pellegrino explica que, mesmo que a redução de R$ 205 milhões na arrecadação possa assustar em um primeiro momento, a compensação é certa.

Em relação à expectativa de abertura de 59 mil vagas de emprego, anunciada pelo governo, Leila acredita que é inevitável que a ação gere mais postos de trabalho.

No entanto, considerando que o segmento de aviação não demanda tanta mão de obra, grande parte em decorrência da modernização tecnológica, é uma aposta muito alta, explica.