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SÃO PAULO - O espaço cultural Red Bull Station, em operação desde novembro de 2013, ocupa o prédio da antiga subestação de energia da Light, na região central de São Paulo. A recuperação de imóveis antigos segue a tendência de revitalização do centro da cidade e valorização do seu entorno histórico.



O prédio da Light, localizado na Praça da Bandeira, existe desde 1926 e permaneceu em desuso por quase nove anos após ser desativado em 2004. A ideia de ocupar o imóvel surgiu da necessidade de um novo espaço para abrigar a Residência Artística, projeto cultural da Red Bull.



Segundo curadora das atividades, Paula Borghi, o projeto começou em 2009 no Hotel Central, e em 2010 aconteceu no Edifício Sampaio Moreira. "Sempre buscando ocupar e valorizar o centro da cidade São Paulo", conta Paula.



"Na busca de um novo espaço para a então 6ª edição da Residência Artística, a Red Bull encontrou a Estação Riachuelo que estava completamente abandonada e inabitada há 10 anos".



O restauro do prédio ficou sob responsabilidade da Lock Engenharia, em parceria com o escritório franco-brasileiro de arquitetura Triptyque. Para adaptar o projeto do espaço cultural ao imóvel, foi utilizado o retrofit, técnica de recuperação estética e funcional de instalações.



Segundo a diretora de obras prediais da Lock Engenharia, Fernanda Rossi Moraes Alves, o conceito desse retrofit foi mesclar um prédio histórico com a arquitetura contemporânea, o que contribui para valorizar o entorno do prédio. "Além de ser uma casa de incentivo à cultura, é um imóvel com toda a história da Light que foi reformado e agora pode contribuir para a revitalização do centro da cidade", diz ela.



Fernanda afirma que o retrofit, se bem aproveitado, valoriza o entorno dos prédios históricos de São Paulo. "Essa técnica geralmente mantém as características estéticas, mas ajusta todas as instalações às exigências atuais, deixando o imóvel 100% adaptado para o novo uso", explica.



Design contemporâneo



O prédio da antiga subestação foi tombado como patrimônio histórico em 2002 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). De acordo Fernanda, como o tombamento refere-se apenas à fachada, no interior não havia restrição para modificações. "Mesmo assim, a ideia foi manter o máximo possível das características do imóvel", diz.



O projeto do prédio, tanto do retrofit quanto do design de interior, ficou por conta da Triptyque, que fez uma intervenção contemporânea da fachada ao topo da subestação. "Desde o começo foi pensado, juntamente com os arquitetos, o melhor design para o objetivo que teria o prédio: cultura e arte", diz a diretora.



O Red Bull Station, palco de experimentação artística, conta com ateliês, espaços expositivos, além de um estúdio de música. E os artistas do Residência Artística trabalham em ateliês onde funcionavam transformadores de energia.