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As violentas tempestades, ilhas de calor com grande variação térmica, vendavais com derrubada de dezenas de árvores e períodos prolongados de estiagens, ondas de frio e de calor. Fenômenos climáticos extremos, que se alternam regendo um novo padrão para o comportamento atmosférico.

Esta é uma realidade prevista pelos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para boa parte de São Paulo, na qual inclui o Vale do Paraíba.

A prefeitura de São José dos Campos é signatária do programa das Nações Unidas que une cidades de todo mundo em torno de soluções sustentáveis. O objetivo é criar compromissos para combater os extremos climáticos e todos os integrantes devem buscar soluções partilhadas, apesar da aplicação ser em âmbito local.

A apresentação do plano de trabalho para Construção da Política Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças foi realizada para um público que reuniu técnicos e gestores das secretarias municipais de Urbanismo e Sustentabilidade, Educação, Inovação e Desenvolvimento Econômico, Parque Tecnológico, membros do Grupo de Análises de Riscos Difusos e da Defesa Civil, pesquisadores do Inpe, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e universidades locais, cuja cooperação é imprescindível para alcançar esse objetivo comum.

A Política Municipal de Enfrentamento às Mudanças Climáticas começa a ser estruturada em São José dos Campos com este trabalho integrado por diversos órgãos. Isso envolverá desde a elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa, o mapeamento dos riscos e vulnerabilidades que a cidade enfrentará ante às projeções climáticas. Haverá uma sistematização de um plano de ação, que estabelecerá metas de redução de emissões, além de atividades e programas prioritários em mitigação e adaptação aos extremos climáticos para proteger as populações vulneráveis.

A pesquisadora do Cemaden, Regina Alvalá, que atua no monitoramento de chuvas e emissão de alertas para mais de novecentos municípios do Brasil, ressaltou a importância das cidades se preparem para o cenário dessas mudanças climáticas, considerando as áreas de risco, eventos extremos, deslizamentos de terra, inundações e outros impactos socioeconômicos graves.

“Neste contexto, a educação da população também é um pilar muito importante e tem relação direta com nossa capacidade de resiliência”, afirmou a cientista do Cemaden.

Jean Pierre Ometto, diretor do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Inpe, um dos principais núcleos de pesquisa e geração de conhecimento do país, destacou a importância das ações em nível municipal.

“Na realidade são as ações locais que fazem a diferença na larga escala. Elas são absolutamente essenciais. Se os municípios se preparam e se organizam para mudar a sua forma de operar, de lidar com o meio ambiente, com as questões de mobilidade urbana, de lixo, que são impactos diretos ou indiretos no clima, a gente potencializa isso se todos os municípios o fizerem”, destacou Ometto.

O ponto de partida, segundo ele, é o diagnóstico que a prefeitura está propondo. É importante que a cidade avalie onde se encontram as suas principais fontes de emissão de gases, a distribuição de área verde no município entre outros aspectos. “Como que é a questão mobilidade e este diagnóstico, com foco nas mudanças climáticas, acaba sendo também uma motivação para o município repensar a forma de operar, de fazer a gestão da cidade. Uma oportunidade sensacional”, disse.

Foi contratada uma Consultoria especializada, a Key Associados, com recursos do Fundo Municipal de Conservação Ambiental, que abarca recursos para o desenvolvimento e para a execução de projetos de proteção ambiental e também da melhoria da qualidade de vida da população.

Além da elaboração dos instrumentos voltados para a construção da política municipal, a empresa contratada realizará a capacitação técnica da equipe da Prefeitura de São José dos Campos e também de seus parceiros, em oito oficinas presenciais que terão início agora no mês de abril.