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São José do Rio Preto se mantém confiante em reavivar os ânimos – enfraquecidos pelos anos de crise – dos empresários da região e em fomentar a atração de novas companhias. Entre os motivos para o cenário otimista está uma legislação que permite uma melhor obtenção de benefícios fiscais, que pode chegar ao valor de R$ 450 milhões por empresa.

O número faz parte de uma pesquisa realizada pela companhia de consultoria especializada na área tributária, fiscal e aduaneira Becomex.

“Isso significa que as empresas poderiam pagar menos impostos. Ou seja, dependendo da forma que a legislação é escrita, ela te permite pagar menos tributos, cenário muito presente em Rio Preto”, diz o diretor de operações da filial Campinas da Becomex, Vinicius Pacheco.

Ele explica que o levantamento divulgado nesta semana considerou, principalmente, as empresas industriais sediadas na cidade e que importam ou exportam determinado produto. Segundo Pacheco, os valores que cada companhia poderia obter em benefício fiscal dependeria de sua movimentação.

De acordo com o presidente da Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp), Paulo Sader, além da facilidade na obtenção de benefícios fiscais, a cidade ganha com a diversificação vocacional. Segundo ele, foi isso o que ajudou o município a entrar mais tarde na crise (se comparado à outras localidades do interior paulista, como Campinas e Jundiaí) e o que vai favorecer uma recuperação mais rápida dos setores.

“Rio Preto é uma referência no setor de saúde, principalmente, na área de transplantes. A área de tecnologia da informação (TI) também é muito desenvolvida aqui”, diz ele. “O número de universidades públicas e privadas que oferecem mão de obra qualificada para diversos segmentos também é alto. Além disso, temos a presença do agronegócio, que também é um setor forte.”

A diversificação de setores também se estende para o agronegócio, segundo ele. O presidente da Acirp explica que, diferente do que costuma acontecer em outros municípios do interior paulista, em que cada um tem uma vocação para determinada commodity, como cana-de-açúcar ou grãos, Rio Preto produz diversos produtos agrícolas, atraindo mais indústrias.

Sader explica que, desse modo, mesmo que um setor precise de mais tempo para se recuperar de uma crise, as outras atividades em andamento sustentam a geração de emprego e a arrecadação de Rio Preto.

O presidente da Acirp também acredita que o número de moradores e de bons níveis educacionais na cidade (o que gera maior qualificação) ajudam a atrair empresas. “São quase 460 mil pessoas morando na cidade, o que torna o mercado consumidor muito importante. Além disso, muitas pessoas que moram em municípios vizinhos costumam frequentar Rio Preto”, afirma.

Para os próximos meses, as projeções de mercado na cidade ainda estão muito condicionadas às decisões da esfera pública, como a reforma da Previdência. Isso ajudaria a definir, de forma geral, onde o investidor vai depositar mais confiança, mas as expectativas para este ano são positivas, de acordo com ele.

Segundo Sader, a cidade vai fomentar mais a atração de startups para a região. Ele explica que os investidores de Rio Preto, junto ao Poder Público, estão tentando criar um ecossistema favorável para a instalação dessas empresas nos próximos meses.