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SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Depois de ter anunciado em audiência pública e transformado a ocasião em um grande evento político sobre mobilidade urbana, a Prefeitura de São José dos Campos descartou a criação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na cidade.

A desistência pegou a população de surpresa e, inclusive, diversas autoridades que já estavam envolvidas com o projeto.

O prefeito, Carlinhos Almeida (PT), anunciou que os recursos de R$ 800 milhões previstos inicialmente para o sistema serão aplicados em um modelo de ônibus de trânsito rápido, denominado de BRT.

A principal alegação para descartar o VLT foi o custo de investimento e o alto preço de passagem ao consumidor final. A alteração para outro modal de transporte rápido de massa foi discutida em conjunto com o Ministério das Cidades.

Essa nova modalidade pretende ampliar a capacidade de atendimento aos usuários do transporte coletivo por meio de um sistema que também seja ágil nos deslocamentos e com características similares ao projeto anterior.

Pelo VLT, os recursos disponibilizados pelo governo federal seriam suficientes para a implantação em um trecho de 15 quilômetros de vias entre o centro e o início do Jardim Satélite, na zona sul. A expansão para outras regiões dependeria de mais recursos. Esse foi um dos óbices para a continuidade da proposta, pois seu custo final ficaria muito alto e cobrindo pequenos trechos.

Segundo a prefeitura, com a troca para o sistema BRT, será possível o atendimento a uma área maior do município, com abrangência na região central e nas zonas sul, leste e norte, a um custo menor e em menos tempo.

Outra vantagem seria sobre as tarifas do transporte coletivo, semelhantes às já praticadas pelo sistema público de ônibus. Elas não sofreram alteração na integração com outros modais. Pelo VLT seriam necessários subsídios por parte da prefeitura da ordem de R$ 30 milhões por ano para equacionar a diferença de tarifa de R$4,50 a R$ 5 do veículo leve, em relação a que é praticada hoje.

"Chegamos à conclusão que é melhor aplicar esse recurso, que não é pouco, para dar uma solução para a cidade toda. Com o VLT, demoraríamos muito a chegar a outras regiões, além de um comprometimento de 30 anos de financiamento para um pequeno trecho. Isso não pareceria responsável com o futuro da cidade", afirmou o prefeito.

O prefeito acrescentou ainda que, pela demanda atual da cidade, o BRT está terá capacidade para atender para o crescimento da cidade. Para ele, o VLT será avaliado como alternativa no futuro. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) está envolvido nestas pesquisas.

Os investimentos nos estudos realizados até o momento para o VLT migrarão para o novo modelo proposto. As análises serão absorvidas no novo projeto, pois consideraram cálculo de demanda e traçados para vias segregadas, com corredor exclusivo, para proporcionar maior velocidade ao transporte público.

A mudança do modelo não deve interferir no cronograma previsto. Após a análise do Tesouro Nacional, será elaborado o projeto funcional de todas as regiões da cidade e os procedimentos para a abertura de licitação para o projeto executivo. A intenção é iniciar as obras em 2015. O sistema de BRT já é adotado atualmente em Curitiba (PR) e em Bogotá, na Colômbia, onde é referência para outros municípios.