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CAMPINAS

A PwC divulgou ontem em Campinas uma pesquisa inédita feita no interior de São Paulo com relação aos expatriados que vivem no Brasil. O objetivo é entender um pouco mais os anseios dessas pessoas, fazendo uma comparação entre as cidades das quais vieram e as cidades brasileiras nas quais vivem hoje e o que essas cidades têm de pontos positivos e onde precisam melhorar.

Valdir Augusto de Assunção, líder das operações da PwC no interior de São Paulo, que envolvem os escritórios de Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Ribeirão Preto, diz que a sondagem é uma fotografia da relação entre o expatriado e o Brasil. "O número de expatriados vem crescendo. Nos últimos quatro anos vieram ao país mais de 220 mil expatriados, dos quais metade para o estado de São Paulo. O interior paulista tem tido cada vez mais uma concentração ou recebendo expatriados, inclusive até de países que até então não eram muito comuns, como China, Coréia, da Ásia de uma forma em geral, inclusive do Oriente médio", diz.

Para o levantamento, a PwC entrevistou estrangeiros de 13 países, a maioria dos Estados Unidos e Alemanha (18% cada país), que residem no Brasil há pelo menos um ano. São CEOs, CFOs, vice-presidentes, diretores, gerentes gerais e regionais e gerentes de controladoria de algumas das principais cidades do interior - Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e São José dos Campos - sendo 42% na faixa de 30 a 40 anos de idade. Nessa amostra, 91% dos respondentes são homens e 82%, casados. "Também nos surpreendeu a quantidade de consulados ou vice-consulados na região. São 13 representações como Itália, Estados Unidos, Equador, Colômbia, Croácia. Todos eles tem uma base em Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos", disse.

A maioria dos estrangeiros chegou ao País entre 2009 e 2012 (64%). Só 18% residem há mais de 10 anos. Dos expatriados, 55% pretendem ficar entre um e cinco anos no País e 18% não têm previsão do período de permanência.

Embora quase a totalidade dos respondentes (91%) considere sua cidade atual um bom lugar para morar, principalmente quando se fala em localização geográfica e clima, os expatriados destacaram problemas em serviços e infraestrutura. Segundo a pesquisa, 76% dos executivos não receberam assistência em sua língua nativa ou em inglês no comércio, o que demonstra a falta de preparo para o atendimento do público estrangeiro. "Uma reclamação dos expatriados é que há poucos hotéis e muito caros. O que me preocupou também é que acham que são explorados no comércio.

A falta de segurança (27%) e de transporte público eficiente (21%) chama a atenção. "Sinto falta da liberdade de andar pela cidade. No Brasil, os cidadãos livres ficam presos em casas fortificadas, enquanto bandidos estão nas ruas", apontou um dos entrevistados. Sem transporte público eficiente e confiável no interior paulista, os expatriados questionaram a falta de trens de alta velocidade e os aeroportos.

Quase a totalidade (91%) dos executivos estrangeiros está adaptada ao Brasil, em especial, ao trabalho, alimentação e clima. Mas a falta de atrativos turísticos, atividades culturais, locais históricos e as distâncias incomodam os expatriados. Assim como a burocracia. Quase metade dos respondentes reclamou do prazo para obter documentos, da dificuldade (39%) e do atendimento/assistência recebida (36%).