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São Paulo - O Circuito de Compras São Paulo, responsável pela Feira da Madrugada desde 2015, tem previsão para começar as obras de construção do shopping em agosto deste ano. Com conclusão marcada para 2019, o empreendimento já conta com a adesão de 3.500 lojistas.

Apesar do número de adesões, apenas 30 delas são para utilização de lojas no espaço, sendo os boxes a principal busca. O espaço, com nome provisório de Shopping Nova Feira da Madrugada e planos para 250 mil metros quadrados de área construída, terá 4.000 boxes e 800 lojas.

O grupo de capital privado acredita que mesmo com o enfraquecimento econômico no cenário atual, a região do Brás representa um ponto fora da curva pelo alto fluxo de pessoas. O porta-voz do Circuito de Compras Bruno Guedes explica que passam por volta de 40 mil pessoas diariamente no local, chegando a atingir 100 mil em datas comemorativas.

Com investimento no valor de R$ 700 milhões para construção e modernização, o Circuito afirma que não pretende alterar o público-alvo do local, apenas proporcionar melhor infraestrutura e comodidade e também trazer um novo público. "A ideia é manter o público atual, mas nosso grande consumidor hoje é o pequeno varejista, dono de loja no interior. Acreditamos que fornecendo uma estrutura melhor, conseguiremos fazer o varejista de São Paulo também comprar lá", conjectura Guedes. Segundo Guedes, dos 3.500 lojistas que já aderiram ao projeto, 2.000 já estavam no local antes da adesão pelo consórcio, em 2015, e tinham o Termo de Permissão de Uso (TPU), que garante uma vaga no novo empreendimento pelo valor de R$ 910 mensais, estabelecido pela Prefeitura. "O preço é fixo, mesmo se houver qualquer aumento de custos, o lucro vai diretamente para o feirante. Se tem mais gente, quem ganha é o feirante", afirma. Para os outros 1.500, que aderiram posteriormente, ainda não foi definido um modelo, mas terá valor de mercado.

Para essa ampliação do público, o grupo aposta no aumento do horário do local. Antes aberto das 2h às 16h, ela passará a funcionar das 2h às 22h. Conforme explica Guedes, a utilização durante as primeiras horas da madrugada será voltada para o lojista, que vem do interior e chega muito cedo. Após esse horário, o espaço cumprirá também a função de shopping, proporcionando outros serviços além dos lojistas.

Circuito comercial

O empreendimento, além da modernização do espaço, propõe também a integração dos centros comerciais da região. Por meio das 315 vagas de ônibus planejadas, o grupo espera facilitar a locomoção dos usuários da Feira da Madrugada para outras locais comerciais, como a 25 de Março, Bom Retiro e Santa Ifigênia, além da chegada de compradores de fora da capital no local.

O porta-voz do grupo afirma que a construção do empreendimento beneficiará também o fluxo de veículos na região. "Achamos que vai melhorar toda a região. Estávamos fazendo a estrutura de tráfego com a CET. Entendemos que vai ser uma melhor para o Brás e o Centro".

Outra aposta do grupo para aumentar o fluxo de pessoas no empreendimento é a instalação de uma unidade Poupatempo na Feira da Madrugada, que além de ponto comercial, proporcionaria estes serviços básicos para os usuários. Bancos, creches e correios também integraram essa outra categoria de atividades disponíveis.

Obras

Com previsão de dois anos para conclusão do Shopping, o grupo espera, entre os meses de maio e junho, realocar os atuais comerciantes em uma feira provisória, próxima ao local, e, em agosto iniciar a construção do espaço.

A estimativa do consórcio é de que essas obras gerem por volta de mil empregos. Após a conclusão, serão geradas no empreendimento, segundo o próprio consórcio, 20 mil empregos diretos, contando os lojistas que trabalharão e todo o corpo de funcionários do shopping e serviços situados dentro dele.

Licitação

O consórcio Circuito de Compras São Paulo, criado por oito empresas envolvidas, que não tiveram seus nomes divulgados, assumiu o empreendimento em 2015 pelo prazo de 35 anos, com outorga de R$ 50 milhões. A estimativa é de que em 35 anos, a concessão gere R$ 1,5 bilhão para a Prefeitura.

Questionada, a Federação dos Varejistas e Atacadistas do Brás disse que não houve qualquer diálogo com o Circuito de Compras São Paulo, mas recusou a se pronunciar sobre o empreendimento.