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O serviço funerário de São Paulo pode entrar em colapso, caso nada seja feito para resolver a falta de pessoal e problemas de manutenção dos cemitérios. A conclusão é dos trabalhadores do Sistema Funerário Municipal de São Paulo (SFMSP).

Esse sistema administra atualmente 22 cemitérios, um crematório, nove agências funerárias e 114 salas de velório no município de São Paulo. Além disso, é responsável pela fiscalização de 20 cemitérios particulares na cidade que já contabiliza 12 milhões de pessoas. No Estado inteiro, a média de falecimentos em 2015 (último levantamento feito) foi de 86.140 pessoas no Estado, sendo que 77.053 foram atendidas pelo sistema, conforme dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM).

Entre as reivindicações feitas pelos funcionários do serviço funerário estão a contratação de mais pessoas, melhor manutenção de cemitérios e que os serviços não passem por concessão.

Mesmo atendendo uma grande demanda, a quantidade de funcionários do SFMSP é insuficiente, segundo o secretário de imprensa do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), João Baptista Gomes. Ele conta que, desde 2012, não há abertura de concurso público para contratação de empregados para nenhum dos cemitérios que atendem o município.

Com isso, está se tornando corriqueiro o remanejamento de funcionários para outros locais e funções, explica Gomes. Segundo ele, nos últimos anos, grande parte dos sepultadores foram para a área administrativa do sistema funerário, deixando o serviço em campo sem a mão de obra necessária.

Além disso, segundo ele, até meados de 2014, eram 66 carros funerários para atender o município, com boa parte dos motoristas contratados diretamente pela prefeitura. No fim de 2017, Gomes diz que os contratos vencidos não foram renovados. Hoje, o sistema conta com frota de 36 veículos com motoristas terceirizados. “A falta de funcionários faz com que a população que solicita os serviços espere em torno de três a oito horas para a remoção de um falecido”, afirma. Contando todas as regiões, são feitas cerca de 300 remoções por dia, segundo o secretário de imprensa.

Para os serviços de enterros, remoções e viagens, o SFMSP conta com 846 funcionários ativos, sendo 119 comissionados e 37 estagiários, com contratos com vencimento para dezembro de 2019, conforme nota enviada pela Prefeitura de São Paulo.

Segundo Gomes, os cemitérios mais afetados são os das regiões mais periféricas. Entre eles estão o da Vila Formosa, na Zona Leste, e o da Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte.

Outro ponto negativo destacado por eles é a concessão dos serviços anunciada em 2018. “Somos contrários a concessão. Vimos que ela vai acabar com o servidor público”, diz Gomes. Em nota, a prefeitura, informa que o projeto de lei que trata sobre a concessão será encaminhado para ao legislativo em fevereiro.