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As mulheres recebem, em média, 66,6% do que ganham os homens no Estado de São Paulo. A distância salarial entre os sexos é a maior de todo o País, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Um dos principais motivos para essa disparidade é a escassez de trabalhadoras nos cargos mais altos das empresas, afirmam especialistas consultados pelo DCI. “Grande parte dos postos com salários maiores está concentrada em São Paulo e a maioria deles é ocupada por homens, ainda que a escolaridade das mulheres, em média, seja superior”, diz Viviane Narducci, diretora da Narducci Consulting, empresa que trabalha com gestão de pessoas.

Segundo ela, muitas companhias apostam mais no potencial dos homens. “É uma avaliação preconceituosa, que infelizmente ainda está presente no mercado”, afirma.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) trimestral, do IBGE, mostra que as mulheres recebiam, em média, R$ 2.110 no Estado de São Paulo entre julho e setembro de 2017, bem menos que os R$ 3.169 obtidos pelos homens na região.

Outra causa da diferença salarial entre os sexos é a falta de divisão dos afazeres domésticos entre homens e mulheres, diz Denise Delboni, professora de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). “A maternidade segue afetando mais a carreira das mães, que ficam mais tempo com tarefas ligadas aos filhos.”

De acordo com o levantamento Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado em 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres brasileiras trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana, em grande parte por causa da falta de divisão das tarefas domésticas.

Delboni diz também que várias carreiras com participação feminina tradicionalmente maior costumam pagar salários menores. “É o caso da enfermeira que recebe menos que o médico, por exemplo”, afirma ela.

Buraco menor

Em níveis menores, a diferença nas folhas de pagamento entre os sexos também é registrada nos outros estados, especialmente nas regiões mais ricas do Brasil. É o caso do Distrito Federal, onde estão os salários mais altos do País. Lá, as mulheres recebem, em média, R$ 3.196, 79,7% do que ganham os homens.

Por outro lado, a distância é menor nos estados mais pobres. No Maranhão, os ganhos das trabalhadoras ficam em R$ 1.162, 92% do rendimento dos homens. Em Roraima, elas recebem R$ 1.960 por mês, 97,8% do salário deles.

Segundo Narducci, o salário mínimo nacional e uma proporção maior de cargos públicos no mercado de trabalho explicam a proximidade dos salários nas regiões mais pobres do País. “O [salário] mínimo e os concursos públicos não discriminam pelo sexo do trabalhador”, explica ela.