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O tabelamento do frete deve gerar, entre junho e dezembro, um gasto adicional de R$ 3,3 bilhões à indústria paulista. É o que aponta o estudo Rumos da Indústria Paulista, divulgado ontem (11) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

De acordo com a pesquisa, que consultou 400 empresas da região, o aumento do frete será repassado integral ou parcialmente para os preços dos produtos por 55,3% das companhias. Além disso, metade (50,1%) das firmas já percebeu a realização desse repasse pelos fornecedores de insumos. Como resultado, 24,5% das empresas projetam uma redução nas vendas de seus produtos.

A pesquisa também indicou que 59,5% das companhias não possuem frota própria para coleta ou entrega de bens, estando mais vulneráveis ao tabelamento. E, das 39,1% de firmas que possuem frota própria, apenas 28,2% afirmaram que seus veículos atendem totalmente a necessidade da empresa.

Para o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, o uso da tabela “não respeita as leis de mercado”. Segundo ele, o Brasil poderia adotar preços de referência, mas não obrigar os empresários a seguir patamares pré-estabelecidos.

“No fim das contas, os próprios caminhoneiros serão prejudicados pelo tabelamento. Isso porque muitos consumidores vão reduzir suas compras quando perceberem o aumento nos preços dos produtos, diminuindo os negócios de diversos setores”, acrescenta o entrevistado.

Roriz indica, ainda, que mineração, agricultura e construção civil serão os segmentos mais afetados pelo tabelamento. “São setores que vendem produtos básicos, de baixo valor agregado, que têm maior participação do frete no valor final”, explica.

Paralisação

A Medida Provisória 832/2018, que institui a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, foi aprovada ontem (11) no plenário da Câmara. A ação foi um dos resultados da paralisação dos caminhoneiros, realizada em maio.

Na opinião de Roriz, a adoção do tabelamento foi necessária para conter a greve. Mas, agora, a medida deve ser alterada. “A paralisação dos motoristas estava prejudicando o País, não havia muita alternativa. Se aquela bola de neve continuasse, o impacto para a economia seria ainda maior.”

De acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14 de 15 estados brasileiros foram afetados pela paralisação dos caminhoneiros em maio, com recuos na produção industrial. Em São Paulo, a queda foi de 11,4% em relação a abril.