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Ao estabelecer novas metas com menos de dois anos para o fim de sua gestão, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, pode ter o curto período de tempo como seu principal desafio para realização das ações. Para especialistas ouvidos pelo DCI, é por isso que os novos objetivos para 2019-2020 se moldam mais como um impulsionamento de imagem do que como reais melhorias urbanas.

“[As novas metas] são mais uma peça publicitária do que de planejamento. Não dá para ter uma ‘nova prefeitura’ na metade ou no final da gestão em andamento. Não há tempo para isso”, diz o professor da FGV EAESP Gustavo Fernandes.

Na última semana, a prefeitura divulgou uma renovação de metas, com um total de R$ 15,3 bilhões em investimentos e 36 objetivos. Um dos principais destaques é a zeladoria e a manutenção urbana, como o fechamento de buracos nas ruas e a melhoria de guias e sarjetas.

Entre as medidas há a pretensão de inspecionar 185 pontes e viadutos, e destas recuperar 50; a projeção de revitalizar 58 parques; desocupar 17 prédios públicos para fins de habitação e desmontar 14 ocupações em marginais e áreas de risco.

Segundo Fernandes, essa “repaginada” nos objetivos não foram realizadas da forma mais adequada. Ele explica que elaborar um plano de metas é um processo que envolve diversas consultas públicas, o que não foi realizado desta vez.

“Algumas características de gestão se tornam marcas da prefeitura, coisas que são lembradas pelos eleitores no futuro. Mas o prefeito atual está tendo dificuldade em fazer isso”, diz.

Bruno Covas assumiu o cargo de prefeito em abril de 2018, após a saída de João Doria. No período, precisou lidar com a resolução de problemas que se tornaram eminentes em sua administração, como Previdência de servidores públicos e a vistoria e manutenção de pontes e viadutos.

“A capacidade do prefeito de solucionar problemas foi colocada em jogo. Alguns obstáculos na dinâmica da cidade acabaram estourando na gestão dele, como a questão das pontes e da Previdência. Ele, provavelmente, teve que encontrar respostas rápidas sem conseguir medir o nível do retorno popular”, explica o professor coordenador do curso de gestão pública da Universidade Metodista de São Paulo, Vinicius Schurgelies.

Para o docente, o que pode representar uma marca da gestão de Covas é que ele tem buscado uma composição de secretariado diversificada, não se limitando à escolha de políticos de centro-direita ou com pensamentos na linha de seu partido, PSDB. Segundo Schurgelies, a escolha de Alê Youssef (de centro-esquerda) para a Secretaria Municipal de Cultura é um exemplo disso.

O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Valter Caldana considera que o fato de o plano ser ambicioso, com diversas ações complexas em pouco tempo, é algo positivo. O que não pode ocorrer, segundo ele, é a falta de realismo na implementação do plano. “Precisamos entender que metodologia será usada e de onde vai sair o dinheiro”, diz.

Segundo coordenador do curso de pós-graduação em Gerente de Cidade da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP), Mario Pascarelli, a vistoria de dezenas de pontes, a revitalização de parques e a desocupação de prédios públicos deveriam ter sido planejadas desde o começo da gestão. Ele explica que tanto em orçamento quanto em tempo, vai ser difícil cumprir as medidas.