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Onze criminosos foram mortos durante tentativa de assalto a duas agências bancárias em Guararema, na região metropolitana de São Paulo, na madrugada de quinta-feira.

Segundo Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), até o momento, foram apreendidos sete fuzis, quatro pistolas, sendo duas calibre 12, além de explosivos, coletes balísticos e três veículos – dois deles blindados. A secretaria informa ainda que alem dos 11 criminosos baleados, um foi preso por equipes do Comando e Operações Especiais (COE). A Superintendência da Polícia Técnico-Científica reforçou as equipes de peritos para atender à ocorrência, que será investigada pela Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil.

Segundo a polícia, os criminosos tentavam explodir caixas eletrônicos quando foram surpreendidos por policiais militares. Na tentativa de fuga, os bandidos atiraram contra as equipes policiais. Houve perseguição e troca de tiros em diferentes pontos do município. Parte dos criminosos chegou a fazer reféns em uma residência, mas as vítimas foram libertadas.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), elogiou a atuação dos policiais no episódio. “Quem deve ter vergonha do que faz são os bandidos. Heróis são os policiais militares e civis, que diariamente deixam suas casas para defender vidas e o nosso patrimônio.” Pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro também parabenizaou os policiais.

A ação da Polícia Militar paulista se justifica pelo poder de força dos criminosos e pela decisão de não se renderem, segundo o ex-comandante da corporação, o coronel da reserva Benedito Roberto Meira. O governador disse que os agentes envolvidos serão homenageados. “No próximo dia 10, no Palácio dos Bandeirantes, nós vamos homenagear esses policiais e outros que nos últimos 30 dias cumpriram a sua missão de defender os cidadãos de bem e o patrimônio privado e público. Bandidos que usam escopetas, fuzis e metralhadoras não saem para passear. E os policiais estão de parabéns, colocaram bandidos no cemitério”, diz Dória.

Meira acredita que o bando tenha se mobilizado a partir de informações privilegiadas sobre o funcionamento do banco. “Para eles, sair com R$ 30 mil não vale a pena. Eles só atacam quando tem algo diferente.” Agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da PM possuem treinamento específico para atuar nessas situação e armamento à altura, afirmou ontem o coronel.

Mortes por policiais

Policiais militares mataram 851 pessoas em intervenções ao longo de 2018, queda ante o patamar recorde de 940 óbitos estabelecido em 2017. Relatório da Ouvidoria da Polícia divulgado em 2018, mostrou que entre os casos de 2017, 74% deles tinham indícios de ação excessiva dos agentes, como tiro pelas costas ou ação contra pessoas desarmadas. Apesar de representar o batalhão que mais mata, a Rota, que frequentemente é acionada para atuar em casos mais graves e contra criminosos armados, foi onde menos se constatou ações excessivas. Nos dois primeiros meses de 2019, policiais mataram 127 suspeitos, menos que os 140 mortos no mesmo período de 2018.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, diz que o ideal era fazer um monitoramento prévio, mas que diante do poder de fogo dos criminosos a ação pode ter sido proporcional.