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Em um ano, o trecho considerado “morto” do Rio Tietê, o maior e mais importante do Estado de São Paulo, cresceu 33,6%, alcançando a marca de 163 km de poluição, a maior dos últimos seis anos. Os dados são do relatório Observando o Tietê, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica.

É considerada trecho morto a parte do rio que apresenta Índice de Qualidade da Água (IQA) classificado como ruim ou péssimo. O indicador é obtido por meio da soma de parâmetros físicos, químicos e biológicos achados nas amostras de água. No trecho morto, não há condição de vida para peixes e a água não pode ser usada para lazer, irrigação ou consumo.

O relatório aponta que a ampliação da mancha é resultado de uma série de fatores, como urbanização intensa, falta de saneamento ambiental, perda de cobertura florestal, insuficiência de áreas protegidas e baixo registro de chuvas. O levantamento indicou que a condição ambiental do rio está imprópria para o uso, com qualidade da água ruim ou péssima, em 28,3% de sua extensão de 576 quilômetros.

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, atribui o aumento de 33,6% no último ano no trecho considerado "morto" do rio ao baixo índice de coleta de esgoto em municípios como Guarulhos e Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, que não são atendidos pela companhia

"A mancha de poluição se concentra mais na região de Guarulhos e Mogi das Cruzes. Do ano passado para esse, tivemos aumento na produção de água na casa de 1,5 mil litros por segundo (em Guarulhos). Isso implica num maior volume de esgoto que é lançado no rio porque nesses municípios a Sabesp não tem estações de tratamento de esgoto", disse ele.

Braga afirma que não há prazo, mas a Sabesp mantém tratativas para assumir definitivamente o sistema de saneamento de Guarulhos, onde somente 12% da população tem esgoto tratado. Em um ano. "A trajetória da mancha de poluição mostra algo mais consistente. Uma coisa é a flutuação, outra coisa é a trajetória. Nossa expectativa positiva é que passaremos a ter parceira com Guarulhos", disse o diretor de Tecnologia e Meio Ambiente da Sabesp, Edison Airoldi.