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Um plano da prefeitura da cidade turística de Bocaina, no interior de São Paulo, de recobrir com asfalto as ruas calçadas com paralelepípedos vem causando intensa polêmica .

Os moradores contrários ao projeto de asfaltamento criaram um abaixo assinado e se mobilizaram pelas redes sociais para tentar impedir o projeto e defender as ruas de pedras que consideram históricas.

A prefeitura, no entanto, argumenta que apenas as ruas de acesso à Santa Casa, por onde transitam ambulâncias, estão ganhando o recapeamento asfáltico.

A cidade, de 11.810 habitantes, tem como seu patrimônio histórico mais importante a igreja matriz, construída em 1910 e que abriga um acervo de pinturas de Benedito Calixto, um dos artistas mais renomados em todo o País no passado.

O centro histórico possui também casarões centenários bem preservados, muitos deles da época dos grandes barões do café. No ano passado, a cidade foi incluída na relação de municípios de interesse turístico do Estado de São Paulo.

Contexto

Para o farmacêutico Benedito Alexandre, as ruas com paralelepípedos fazem parte do contexto histórico de Bocaina. “É quase uma exclusividade nossa, pois poucas cidades preservaram as ruas com essa pedra”, conta.

O fotógrafo Antonio Teixeira também defende as ruas de pedras, mas critica a falta de conservação. “Se for para restaurar e preservar, como foi feito nos anos 90, tudo bem, caso contrário é melhor o asfalto”, argumeta.

Ja a dona de casa Izilda Azevedo prefere que as pedras sejam cobertas pelo asfalto. “São muito lisas e podem causar acidentes”, afirma ela.

O sindicalista Gilberto Martins acha que as ruas calçadas com pedras têm um importante apelo histórico. “Elas contam um pouco da história da cidade, assim como os casarões e as telas de Benedito Calixto. Além disso, é um calçamento ecologicamente correto, pois deixa a água da chuva chegar aos lençóis freáticos”, explica ele.

O abaixo assinado virtual em defesa das pedras da cidade de Bocaina já conta com mais de 200 assinaturas.

Custo

O diretor de Turismo da prefeitura, Carlos Alberto Cunha, disse que a administração municipal não pretende asfaltar todas as ruas calçadas com paralelepípedos, embora a manutenção de ruas com pedras, segundo os cálculos dos técnicos municipais, custe até três vezes mais do que as vias asfaltadas. “Temos 72 quarteirões calçados com pedras e apenas duas ruas já receberam o recape asfáltico nessa gestão. Foram 200 metros na Rua XV de Novembro e outros 200 na Tiradentes”, disse.

Segundo ele, em 2011, a pedido de moradores e dos operadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foram recapeadas algumas ruas com paralelepípedos no entorno da Santa Casa, devido ao trânsito de ambulâncias. “Ficaram faltando essas duas, que são acessos principais. Como a prefeitura recebeu uma verba do Estado para infraestrutura urbana, parte desse recurso foi usado nesses recapes asfálticos”.

O diretor disse que o asfalto foi colocado sem a retirada das pedras, que estão preservadas sob a camada asfáltica. “Nada impede que, no futuro, o calçamento original seja recuperado”, afirmou.