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São Paulo - O Serviço Social do Comércio (Sesc), uma espécie de "clube" voltado para os trabalhadores do comércio e serviços tem contribuído, indiretamente, para a revitalização do bairro/área no qual se instala. No mês passado, o Sesc inaugurou a unidade 24 de maio, na República, centro de São Paulo. A região faz parte do projeto de requalificação do centro da gestão do prefeito João Doria.

Segundo o superintendente do Sesc São Paulo, Luiz Galina, a revitalização do entorno acaba sendo uma consequência da missão da rede, de estar presente nas mais variadas regiões da cidade facilitando o acesso dos trabalhadores e população em geral às atividades e programação oferecidas pelo equipamento, em sua maioria gratuitas. "Quando anunciamos a inauguração de uma nova unidade do Sesc, percebemos um movimento do mercado imobiliário e interesse na região por parte dos investidores, porque eles sabem que naquele local vai aumentar a circulação de pessoas e a atratividade do bairro", comenta Galina.

A unidade 24 de maio recebeu em menos de um mês, após a sua inauguração, mais 150 mil pessoas. A média diária da unidade é de 10 mil pessoas.

Para Galina, um dos equipamentos que mais causou impacto na reformulação do bairro foi o Sesc Belenzinho, na Zona Leste da cidade, região que ainda carregava as características industriais do começo do século 20, devido a instalação de fábricas no local. "Quando inauguramos a unidade, em 2010, o local contava com muitos galpões vazios e, aos poucos, eles foram sendo usados para a construção de prédios residenciais e comerciais", lembra. A unidade tem uma média diária de 5 mil visitações.

Galina atribui a atratividade do Sesc em incorporar outros empreendimentos no local onde se instala a três fatores: o projeto arquitetônico da rede, a sua grade de programação e atividades, e a localização em locais de fácil acesso aos transportes coletivos (ônibus, metrô e trem).

"O Sesc representa um megaempreendimento para o local onde se instala. Nós prezamos pela arquitetura e qualidade da construção e isso contribui para a valorização do bairro", diz Galina. Segundo ele, as unidades também estimulam o fluxo com programações abertas e gratuitas, criando um centro urbano dentro da própria cidade, o que se torna atrativo para o mercado. O superintendente diz que o equipamento também tem uma forte contribuição social. Na área onde está instalada a unidade de Campo Limpo, por exemplo, a população conta com poucas opções de equipamentos culturais e leitura. "Temos um acervo de mais de 3 mil livros na Biblioteca. O espaço é aberto ao público e as locações são gratuitas", diz Galina. A unidade recebe uma média diária de 1.400 pessoas.

De acordo com o Mapa da Desigualdade de 2016 da Rede Nossa São Paulo, o índice que calcula o número de livros infanto-juvenis disponíveis no acervo das bibliotecas municipais em Campo Limpo é de 0,274 per capita. A recomendação da Unesco (órgão da ONU) é de dois livros per capita. O índice que mede o número de equipamentos culturais na região é ainda menor, de 0,046.

Em breve o Sesc também deve abrir suas portas em uma área próxima ao Mercado Municipal, no edifício São Vito. O terreno foi doado pela Prefeitura e o projeto arquitetônico já está em andamento. A gestão doou outros dois terrenos para a rede: um em Pirituba (Zona Norte) e outro em São Miguel Paulista (Zona Leste).