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A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) abriu um chamamento público para que empresários possam enviar propostas para uma parceria e realizar investimentos na infraestrutura do campus São Paulo. A intenção é que parceria renda R$ 1 bilhão em aportes ao longo de 20 anos.

A decisão de tentar uma parceria público-privada surgiu devido às dificuldades da universidade em conseguir manter sua infraestrutura somente com verbas públicas. “A partir de 2016, as verbas diminuíram muito. Em 2014, nós tínhamos cerca de R$ 80 bilhões anuais. Em pouco tempo, esse valor caiu para R$ 40 bilhões, depois para R$ 20 bilhões”, diz o pró-reitor de planejamento da Unifesp, Pedro Fiori Arantes.

O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) foi aberto mirando empresas do mercado imobiliário, do setor de serviços e saúde, de pesquisa e inovação e da área comercial. Tendo suas propostas aceitas, as companhias serão responsáveis pela implantação da infraestrutura e pela reorganização, requalificação e ampliação de imóveis do Campus, como áreas de ensino, assistência, biotérios e moradia universitária.

A projeção é que por meio da parceria sejam investidos cerca de R$ 50 milhões anuais durante 20 anos, totalizando R$ 1 bilhão. Segundo o pró-reitor, limitar os investimentos à infraestrutura evita que a iniciativa privada tenha alguma influência sobre os métodos de ensino. “A metodologia e o ensino vão continuar a ser de uma entidade pública, as empresas vão interferir somente na construção e manutenção dos prédios”, afirma.

Entre as revitalizações, a iniciativa incluiria ainda as ampliações e reformas do Edifício de Anfiteatros; do Edifício de Pesquisa Experimental e Pesquisa Clínica; do Centro de Atenção Integral em Oncologia e do Hospital da Criança e Adolescente. Além disso, seriam exigidas algumas melhorias ao entorno do campus, como o alargamento de calçadas, o redimensionamento da iluminação pública e arborização.

Atratividade

De acordo com Arantes, para atrair aportes privados, a Unifesp oferece para as empresas a oportunidade de usar alguns imóveis da instituição que não estão sendo ocupados. Além disso, há a possibilidade de exploração comercial de andares térreos, fachadas e de subsolos para serviços e comércios. “Um atrativo é a relevância que a universidade tem para a região e seu reconhecimento na área de saúde”, afirma.

O pró-reitor explica que a PMI no campus de São Paulo ainda é uma espécie de projeto piloto que, se der certo, pode ser levado para outras unidades da Unifesp, como o campus de Diadema e de Osasco. Segundo Arantes, a expectativa é que, até o meio do ano, sejam abertas licitações para um ou dois edifícios pelo menos.

O campus São Paulo, no bairro da Vila Clementino, abriga a Escola Paulista de Medicina e a Escola Paulista de Enfermagem.

“Hoje, nós temos 20 projetos em condição de licitar. Em andamento temos três projetos [captando recursos] pela Lei Rouanet e outros em negociação com o Ministério Público”, afirma o pró-reitor.

O primeiro chamamento era previsto para ser encerrado no mês de abril. No entanto, a Unifesp recebeu somente cinco propostas. Para tentar ampliar o número de interessados, a PMI foi prorrogada para o dia 5 de maio, os estudos finais devem ser entregues até o dia 15.