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Universidades públicas de São Paulo estão buscando formas de modernizar sua estrutura administrativa criando Centros de Serviços Compartilhados (CSC). As medidas, além de terem a função de diminuir custos dentro um orçamento cada vez mais reduzido, tentam resolver a falta de reposição de funcionários aposentados ou exonerados.

O CSC é uma centralização dos serviços administrativos – que não estejam ligados a atividade final da empresa ou instituição, que no caso das universidades é o ensino – de mais de uma unidade. As pioneiras nessa modelagem na área de ensino público no Estado são a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A USP já deu início ao seu projeto piloto de CSC na área de recursos humanos neste ano. Então, ao invés de cada campus, como a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), terem seu próprio centro de recursos humanos, eles serão unificados.

Já a Unesp e a Unicamp estão estudando implementar a modelagem nas áreas de gestão, administração e de aquisições. Segundo o pró-reitor de planejamento estratégico e gestão da Unesp, Leonardo Theodoro Büll, as duas instituições vão tentar seguir a linha do que já foi realizado pela USP e pela Universidade do Porto, em Portugal, que também tem CSC.

Ele explica que a Unesp está com a reposição de servidores aposentados ou exonerados, incluindo funcionários da área administrativa e professores, suspensa desde 2014. Por isso, a reitoria entendeu a necessidade de uma revisão administrativa.

“Desde 1976, a modelagem administrativa é a mesma, só um ou outro detalhe que foi alterado. Na iniciativa privada foram muitos avanços, principalmente, na área de informática, o que não foi acompanhado pelas universidades públicas. Com a modernização na forma de gerir a instituição, nós poderíamos reduzir algumas etapas burocráticas”, afirma o pró-reitor.

Segundo Büll, embora o CSC unifique serviços, ele não vai causar a diminuição do quadro de funcionários. Ele explica que a universidade pode, de fato, deixar de repor alguma função não tão necessária do ponto de vista da modernização, mas o servidor que estiver ocupando o cargo extinto será transferido para outro.

Para ele, fazer com que os servidores aceitem e se sintam confortáveis com as mudanças de trabalhar com uma nova equipe, em uma nova função ou em um novo local, é o principal desafio para implementar a modelagem.

As primeiras alterações vão ser nos campus considerados complexos, ou seja, em cidades ou regiões que possuem diversas unidades da Unesp, onde cada uma tem seu próprio centro de compras, de administração, de transportes, entre outros - como em Botucatu, Rio Claro e Araçatuba.