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O Produto Interno Bruto (PIB) da capital paulista teria um acréscimo de R$ 870 milhões se parte dos trajetos feitos com carros e automóveis fossem realizados por bicicletas. É o que aponta a pesquisa “Impacto Social do Uso da Bicicleta em São Paulo”, divulgada ontem (10) pelo Itaú.

Essa melhora se daria com o ganho de produtividade causado pela diminuição do tempo diário no trânsito. A análise mostra que essa mudança traria também um impacto significativo na renda pessoal dos habitantes da cidade. Para os indivíduos de classes C e D, por exemplo, a economia poderia chegar a R$ 214 por ano.

A substituição de carros e ônibus por bicicleta foi considerada apenas para as viagens de até oito quilômetros, de acordo com Carlos Torres Freire, coordenador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), instituição responsável pela realização da pesquisa. “Os ganhos [para o PIB] poderiam ser ainda maiores se a troca pela bicicleta acontecesse em mais cenários”, diz o especialista.

Saúde

O impacto econômico do uso de bicicleta também ocorreria no setor de saúde. Segundo o estudo, R$ 34 milhões seriam economizados por ano com a redução no uso do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando apenas a queda na chance de as pessoas desenvolverem diabetes ou doenças do sistema circulatório.

O estudo mostra que, entre os ciclistas, a proporção de indivíduos regularmente ativos – que têm menor probabilidade de desenvolver uma série de doenças – é três vezes maior que a da população geral.

Além da diabetes e de problemas circulatórios, as pessoas regularmente ativas têm chance mais baixa de ter problemas relacionados a câncer de mama e cólon, osteoporose, depressão e ansiedade.

Meio ambiente

As emissões de CO2 também teriam uma redução importante caso os veículos fossem substituídos por bicicletas. Se essa troca ocorresse nas viagens de até oito quilômetros realizadas entre 6h e 20h por pessoas de até 50 anos de idade, 31% dos trajetos de ônibus e 43% dos percursos de carro não aconteceriam. Com isso, seriam registradas quedas de 8% e 10% nas emissões provenientes desses veículos, respectivamente.

Estima-se que hoje os ciclistas sejam responsáveis por uma redução de 3% na emissão de CO2, levando em conta apenas o transporte de passageiros na capital.

Hábitos

A pesquisa indica também que, mesmo com os benefícios do uso da bicicleta, apenas 31% da população está disposta a usar esse meio de transporte cotidianamente.

Por essa razão, Luciana Nicola, superintendente de relações governamentais do Itaú, destaca a necessidade de conscientizar os paulistanos sobre as vantagens da bicicleta. “Muitas pessoas ainda são bastante apegadas aos carros. É importante mudar esse pensamento para promover o melhor uso do espaço público.”