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O Banco ABC Brasil estuda a possibilidade de atender empresas com faturamento anual a partir de R$ 30 milhões em 2020. Atualmente, o montante aceito é de R$ 100 milhões. O movimento vem como parte de estratégia para atração de clientes.

De acordo com o superintendente de relações com investidores do Banco ABC Brasil, Emerson Faria, a participação da instituição no segmento Middle (de 5%) ainda é muito pequena e tem um “grande” potencial. “O estudo de descer a régua para os R$ 30 milhões ainda está em andamento e deve ser implementado na virada do ano, mas já dá uma ideia do tamanho da oportunidade”, comenta o executivo e acrescenta que, nessa linha, a estratégia do banco tem três frentes.

“A expectativa de aumentar a participação do Large Corporate na carteira continua, assim como a tendência de crescimento nas áreas de mercado de capitais e fusões e aquisições. A novidade de trabalhar melhor com a faixa de faturamento mais baixo é um foco combinado, já que as empresas que faturam até R$ 200 milhões eram muito negligenciada e ganharão uma equipe específica”, completa Faria. Uma reformulação na classificação da base de clientes já foi feita pelo banco no primeiro trimestre deste ano. Nela, a categoria Middle foi criada, abrangendo empresas com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 250 milhões.

O Corporate passou a concentrar o atendimento em companhias com faturamento entre R$ 250 milhões a R$ 2 bilhões por ano e a classificação Large Corporate ficou para os negócios com ganho anual acima de R$ 2 bilhões.

O superintendente destaca que ainda há espaço para um crescimento entre 11% e 15% na carteira expandida para este ano. Segundo ele, porém, a retomada só começaria a dar sinais a partir do segundo semestre, com a aprovação da reforma da Previdência.

A carteira expandida do ABC Brasil registrou um aumento de 6,6% no primeiro trimestre deste ano contra igual período de 2018 (de R$ 24,854 bilhões para R$ 26,503 bilhões). Os títulos privados foram os que mostraram o maior avanço na mesma comparação (+ 26,8%, de R$ 2,285 bilhões para R$ 2,897 bilhões), enquanto os empréstimos subiram de R$ 11,925 bilhões para R$ 13,064 bilhões (+9,6%). As garantias prestadas, por sua vez, caíram 1% na relação, de R$ 10,643 bilhões para R$ 10,540 bilhões.

“A Previdência é o gatilho que os investidores têm sinalizado para a retomada. Precisamos de capital estrangeiro e embora a reforma não resolva todos os problemas, sua aprovação seria um forte voto na solução das questões fiscais do governo”, avalia Faria.

Balanço reportado

O lucro líquido do banco teve uma alta de 11,6% no primeiro trimestre ante iguais três meses de 2018 (de R$ 108,5 milhões para R$ 121,2 milhões). As operações com atraso acima de 90 dias, por sua vez, registraram avanço de 1,2 ponto percentual na mesma relação, de 0,4% para 1,3%, puxadas por um caso específico no Large Corporate. As ações do banco, no entanto, terminaram o pregão de ontem com perda de 2,08%, a R$ 18,86.