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O Ibovespa teve alta expressiva ontem, ainda impulsionada pela melhora da percepção em relação à aprovação da reforma da Previdência, combinada com o maior apetite por risco no mercado externo.

O índice acionário da B3 oscilou em terreno positivo desde a abertura, acelerou o ritmo gradativamente ao longo do pregão e encerrou os negócios com um salto de 2,76%, aos 94.484,63 pontos.

O efeito da melhora na percepção política fica evidente se observado o desempenho das ações de empresas estatais, espécie de termômetro do risco atribuído ao cenário doméstico. Banco do Brasil ON disparou 5,71%, Petrobras PN avançou 3,80% e Eletrobras ON subiu 4,97%. O setor bancário de modo geral, também sensível ao humor do investidor em relação ao governo, contribuiu em peso para a alta do Ibovespa. Itaú Unibanco PN subiu 3,84%.

"Não creio que a alta foi exagerada. Houve exagero, sim, nas quedas dos últimos dias. A impressão que se tem é que a reforma da Previdência adquiriu vida própria. Apesar dos ruídos políticos, não vimos ninguém no Congresso falar que a reforma da Previdência corre risco de não ser aprovada", disse Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Ativa Investimentos.

O economista destaca que o ambiente hoje é muito melhor do que foi no governo Temer, com maior compromisso de parlamentares, maior apoio popular às mudanças e sem denúncias contra a pessoa do presidente. Apesar da visão mais otimista, Freitas alerta que o mercado deve continuar experimentando períodos de "extrema volatilidade", uma vez que, além das questões políticas, ainda devem pesar no cenário os desdobramentos da tensão comercial entre Estados Unidos e China.

Na avaliação de Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, a alta mais agressiva do Ibovespa nos últimos dois pregões está em boa parte relacionada a suportes gráficos que indicavam a possibilidade de recuperação, próximos dos 90 mil pontos. Na última sexta-feira, o Ibovespa fechou no patamar dos 89 mil pontos, menor patamar de 2019.

"A bolsa estava amassada em dólares e os investidores viram chances de compra. No cenário político, só o que se viu até agora foi que a fervura da água diminuiu um pouco. O clima de incerteza não desapareceu", afirmou Monteiro.

Hoje, quarta-feira, os investidores concentram as atenções na divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve. Seguem no Congresso as negociações para votação de Medidas Provisórias importantes, como a MP 870, que trata da reforma administrativa que organizou os ministérios da gestão do presidente Jair Bolsonaro. A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), afirmou ontem que a aprovação da MP é a prioridade do governo. A matéria deverá ser votada nesta quarta-feira.

Mercado de câmbio

Depois de quatro pregões seguidos de alta, em que acumulou valorização de 3,19%, o dólar recuou na sessão desta terça-feira, 21. A perda de força da moeda americana em relação divisas emergentes pares do real e o arrefecimento das tensões políticas abriram espaço para desmonte de posições compradas em dólar futuro. Depois de uma máxima pela manhã de ontem de R$ 4,1130, a moeda americana operou em queda e fechou com baixa de 1,35%, a R$ 4,0478, na mínima do pregão. /Estadão Conteúdo