Publicado em

A maior adoção da tecnologia blockchain reduzirá os custos de produtos e serviços financeiros ao consumidor. A expectativa é de que a evolução do segmento seja gradativa e cautelosa e que em cinco anos os efeitos já sejam sentidos em sua totalidade.

No último dia 12, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) anunciou, em conjunto com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), a primeira rede blockchain do sistema financeiro. Para especialistas, o projeto é o primeiro passo para novas soluções no mercado.

De acordo com o gerente-executivo de tecnologia do Banco do Brasil (BB), Igor Regis Simões, além de trazer uma maior segurança, o blockchain também provocará mudanças no mercado a partir da criação de um “relacionamento de confiança” entre entidades concorrentes.

“Essa conciliação trará vários trabalhos articulados entre instituições. A exploração de possibilidades com a tecnologia tem crescido. E quanto menor for o gasto das instituições para isso acontecer, menor será o custo repassado aos clientes”, afirma.

Assim, apesar de incipiente, já existem outros setores da economia que utilizam o blockchain e a expectativa é de que sua utilização ganhe novas proporções em pouco tempo.

Para o diretor geral da Ripple, Luiz Antonio Sacco, esse movimento já deve começar a se intensificar, inclusive, por parte das empresas ligadas às instituições financeiras.

“É uma situação que floresceu rapidamente e que, mesmo com uma série de vantagens, ainda não é totalmente testada. Tem muita coisa ainda em fase inicial e que ainda precisa do aval das grandes instituições financeiras para dar certo. É uma evolução gradativa e conforme a adoção do sistema pelo mercado”, avalia.

Ele comenta ainda que tais avanços também dependem de “como as soluções serão abordadas”. “Mas eu acredito que em menos de cinco anos já conseguiremos ter resultados plausíveis”, acrescenta.

“É importante entender que, para dar certo, é preciso primeiro saber qual o problema do mercado que precisa de solução para só então trazer o mecanismo de blockchain nesse processo”, pondera a presidente da IBM para a América Latina, Ana Paula Assis.

Privacidade

Outro ponto de atenção são as novas leis voltadas à privacidade e segurança de dados do consumidor. De acordo com Simões, do BB, há uma “promessa forte de disrupção”, mas que tais normas ainda são um “ponto delicado” ao segmento.

“O blockchain vai crescer nos próximos anos, permitindo sempre uma maior troca de informações. Mas precisamos ter atenção para garantir que isso ocorra sempre respeitando as novas legislações com relação ao sigilo de informações das pessoas”, analisa.

“De qualquer forma, é importante ressaltar que a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] não deve ser um problema, porque apesar de o blockchain manter um registro de todas as transações, essas redes serão permissionadas e o direito de ser esquecido será mantido. Há a possibilidade de exclusão do dado, a única coisa que continuaria dentro do bloco é o registro de como essa exclusão aconteceu”, complementa a executiva da IBM.