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A volatilidade trazida pelos cenários doméstico e internacional e o maior apetite ao risco ante a baixa taxa básica de juros (Selic) tem dado fôlego para ativos relacionados a crédito e fundos de investimentos. As carteiras também mostram maior diversificação.

O ambiente de cautela tanto em relação à aprovação da reforma da Previdência e na articulação do governo quanto ante a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que se estende desde 2018, se somou à menor Selic da história (6,5%) e já tem refletido em demandas maiores para investimentos que assimilam um risco maior.

De acordo com o responsável pela área de produtos da Ourinvest, Fernando Fridman, apesar de o momento já trazer uma maior diversificação nas carteiras, é preciso chamar atenção dos investidores para o risco associado.

“Mas sentimos alguns destaques dentro da nossa grade, principalmente naqueles ativos que não agregam tanta volatilidade ao portfolio mas, que mesmo assim, promovem a maximização de retorno, seja abrindo um pouco de mão da liquidez [prazos mais longos] ou fazendo um mix de indexadores”, comenta.

Dentre os ativos, Fridman ressalta títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, além de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e Letras de Crédito Imobiliário e Agrícola (LCIs e LCAs).

“Outra parte de renda fixa também envolve crédito e tem mostrado boa rentabilidade são os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e os fundos imobiliários”, acrescenta Fridman.

Os últimos dados da B3, apontam que o número total de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) atingiu 606 em abril último, um aumento de 5% em relação ao observado em igual mês de 2018 (577).

“Essa é uma tendência que tem se acelerado muito. De dez meses pra cá, a base de investidores nos FIIs no mercado mais do que dobrou. A variação das cotas e a rentabilidade mensal de distribuição de dividendos acabam sendo bem atrativas”, avalia o diretor comercial da Easynvest, Fabio Macedo, reiterando que a média de rentabilidade dessas carteiras tem se mostrado entre 120% e 150% do CDI.

“Isso sem contar que a oferta desses produtos continua aumentando, inclusive com follow ons [novas captações feitas pelos fundos]. Esse é um investimento que continuará tendo destaque entre os investidores, principalmente com o patamar de juros baixos”, completou o diretor da Easynvest.

Renda variável

O mercado acionário brasileiro, mesmo registrando um maior interesse, com a B3 alcançando o patamar de um milhão de investidores em abril, teve um mês fraco (apesar de historicamente melhor).

Segundo o analista da Rico Investimentos Thiago Salomão, por exemplo, a rentabilidade acumulada no Índice Bovespa em maio estava, até o fechamento de ontem, em 1,15%. Caso o resultado continue nessa linha, seria o primeiro mês de maio positivo em mais de dez anos.

“Isso é uma sinalização de que o mercado têm mostrado respostas rápidas aos ruídos que têm surgido. E apesar desse movimento de alta volatilidade vir desde março, este deve ser o último mês de indefinições”, afirma Salomão, contando com as expectativas de maior clareza relacionadas à reforma da Previdência.

“É importante destacar, porém, que para os investidores mais conservadores e menos propensos a risco, esse ainda não é um bom momento de Bolsa. Mas é uma volatilidade que deve diminuir conforme essa nebulosidade em relação ao ambiente político-econômico se dissipe”, completa Macedo, diretor da Easynvest.

Entre os principais destaques tanto de alta quanto de baixa, porém, os especialistas ponderam os efeitos “micro” dentro das companhias, como resultados trimestrais ruins ou efeitos de preços de commodities. “O excesso de volatilidade sem motivo, fatores micro pesaram mais do que os macroeconômicos”, diz Salomão.

Entre as maiores quedas do mês estão os papéis da Suzano e Klabin, do setor de papel e celulose, além de Cielo, B2W e Pão de Açúcar. Já entre as maiores altas estão Gol Linhas Aéreas, beneficiadas pela queda nos preços do petróleo, CSN, CCR e Ecorodovias.