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Sem relacionar diretamente com a expectativa de uma nova recessão global, o Banco Central do Brasil deve atuar no mercado à vista para dar liquidez [às empresas e instituições financeiras], medida que não era adotada desde 2009.

Com o simples anúncio pela autoridade monetária, o valor do dólar à vista caiu 1,21% para R$ 3,9901 ontem, depois ter registrado máxima de R$ 4,04 na última quarta-feira. De 21 a 29 de agosto, o BC fará ofertas simultâneas de US$ 550 milhões e de igual montante em contratos de swap cambial reverso.

A atuação simultânea visa trocar, por dólar à vista, um total de US$ 3,8445 bilhões em swaps cambiais tradicionais que expiram em outubro próximo e que ainda não foram rolados pelo BC.

A autoridade monetária justificou a mudança na forma de atuar no câmbio citando maior busca por liquidez no mercado à vista, e não no segmento futuro, onde tradicionalmente a demanda por “hedge” é maior e atendida pelos swaps cambiais. “Na semana que vem, o dólar começa a recuar mais (com o início dos leilões)”, aponta o diretor de câmbio do banco Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

Segundo o Banco Central em nota de assessoria divulgada ontem, a venda de dólares à vista chega após diagnóstico de que a menor liquidez do fluxo financeiro deve “perdurar por tempo relativamente mais prolongado, já que seus fatores não devem se reverter no curto prazo”.

"Dessa forma, a atuação mais tradicional, aumentando a oferta de dólares com compromisso de recompra em resposta ao aumento do custo da liquidez em dólares no mercado local, embora siga sendo uma alternativa, talvez não seja a mais indicada para este momento”, diz voto assinado pelo diretor Bruno Serra (Política Monetária) e submetido à diretoria do colegiada da autarquia. ” A atual conjuntura sugere oferecer a alternativa de o mercado trocar alguma parcela do estoque de swaps cambiais por dólar à vista”, relata.

A nova política cambial do BC oferece uma oportunidade para empresas endividadas em dólar. A inédita perspectiva de que o juro mais baixo veio para ficar não apenas tem tornado menos interessante emissão de títulos em dólar por empresas brasileiras como estimula algumas delas a trocar passivos em moeda estrangeira por dívida com custo local.