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O Ibovespa encerrou a sessão de ontem em queda de 0,63%, interrompendo uma sequência de cinco pregões de alta que levou índice a subir quase 4 mil pontos. Descolado do índice Dow Jones, que renovou nova máxima histórica, o Ibovespa encerrou o pregão aos 105.146,44 pontos.

Após a aprovação do texto-base da reforma da Previdência no plenário da Câmara por votação expressiva, investidores adotaram uma postura cautelosa e optaram por embolsar ganhos diante do adiamento para apreciação dos destaques. Marcada inicialmente para às 9 horas, a sessão da Câmara foi adiada por falta de quórum, o que acendeu o sinal amarelo. O volume negociado durante o dia foi de R$ 16,79 bilhões.

“A bolsa havia subido com força na segunda e na quarta-feiras. Com esse atraso nos destaques, muita gente aproveitou para realizar lucros”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Para o analista de investimentos da Mirae Asset, Pedro Galdi, o atraso na votação dos destaques trouxe certa preocupação em torno do cumprimento calendário da Previdência. Teme-se que, caso não haja entendimento, a votação do segundo turno fique para depois do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho “Se a reforma ficar para agosto, só vai ser aprovada no Senado em outubro. Seria um atraso muito grande e prejudicaria a tentativa de reanimar a economia”, afirma Galdi, ressaltando que os preços de algumas ações podem “parecer muito esticados” caso não se conte com uma melhora do ambiente econômico, com redução da Selic, apreciação do real e recuperação, mesmo que gradual, da demanda. “Se tudo der certo na Previdência e o humor com a economia melhorar, o Ibovespa pode buscar os 110 mil pontos”.

Entre as principais ações do Índice, o destaque positivo foram as ações da Petrobras, com alta de mais de 1%, ao passo que a Vale apresentou leve recuo e os bancos caíram em bloco. Também fecharam em baixa os papéis das empresas do setor siderúrgico, cujos resultados podem ser abalados pela alta do minério de ferro.

Na ponta positiva, as ações da Eletrobras apresentaram a maior alta entre os papéis que integram a carteira teórica – o papel ON subiu 7,36% e o PNB, 4,67% –, após o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, estimar que o governo pode arrecadar cerca de R$ 18 bilhões com a capitalização da empresa, valor bem superior ao previsto durante o governo de Michel Temer. Outro destaque foi o papel ON da Sabesp, que subiu mais de 4% na esteira de declarações do governador de São Paulo, João Doria, em Londres, dando conta que a privatização da empresa é a melhor opção.

Dólar

O mercado de câmbio teve um dia volátil ontem, mas acabou fechando com a quarta queda consecutiva, ainda influenciado pelo exterior e perspectiva positiva com a reforma da Previdência, apesar da demora para a votação dos destaques na Câmara. A moeda americana caiu ante a maioria dos emergentes, com os agentes apostando em corte mais forte de juros nos Estados Unidos. Aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 0,15%, a R$ 3,7510.

O dólar acumula queda de 2,4% este mês e o real é a moeda com que mais se valoriza em julho, em uma lista de 34 divisas. Mesmo com as quedas recentes, estrategistas veem tendência de a baixa do dólar continuar. /Estadão Conteúdo