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São Paulo - A evolução de acordos comerciais já existentes vai gerar uma zona de livre comércio na América do Sul até 2019, afirmou Paula Aguiar Barboza, Chefe da Divisão de Negociações Comerciais com a Europa e a América do Norte do ministério de Relações Exteriores.

"Na América do Sul, teremos virtualmente uma zona de livre comércio até 2019", disse a executiva do Itamaraty, em entrevista concedida ao DCI no Ciclo de Conferências sobre o Acordo de Livre-Comércio entre União Europeia e Mercosul, realizado ontem em São Paulo.

De acordo com ela, a evolução dos acordos de complementação econômica (ACEs) locais - tratados já vigentes entre o Brasil e os outros sul-americanos - vai "garantir" uma zona de livre comércio no continente.

Com a derrubada das barreiras tarifárias, seguiu ela, o desafio para a região passa a ser a construção de acordos que abordem outras áreas, como as compras governamentais e convergência regulatória.

A situação do México, por outro lado, é mais complicada. Isso porque, para chegar ao livre comércio, será necessário um "aprofundamento" maior do ACE assinado com o país latino-americano, disse Aguiar.

Mercosul e União Europeia

A representante do Itamaraty repetiu a previsão do governo para o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ela, a conclusão política do tratado deve acontecer até dezembro deste ano. "Mas esse fechamento vai depender da melhoria das ofertas do lado europeu e do lado americano", ponderou. Uma nova rodada de negociações entre os blocos vai acontecer na semana que vem.

Aguiar afirmou que o momento atual contribui para o avanço do acordo, já que os líderes europeus, que enfrentam oposição protecionista no continente, buscam passar ao mundo uma imagem favorável à abertura comercial, que também é defendida pelos governos de Brasil e Argentina.

No evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (Ibrei), em conjunto com a Universidade Católica de Lisboa, representantes da União Europeia e do setor privado também falaram sobre o tratado de livre comércio.

Para o presidente da Câmara de Comércio Luso-Britânica, Bernardo Ivo Cruz, o acordo é "um dos mais importantes instrumentos" para o fortalecimento da União Europeia.

Já Rubens Medrano, vice-presidente da Fecomercio, indicou que o tratado traz um "avanço muito grande", por diminuir a burocracia no comércio internacional.

O acordo foi defendido inclusive pelo representante da indústria, setor que costuma fazer maior oposição à redução das tarifas. "Não adianta dizer que os europeus vão invadir o Brasil, porque eles já invadiram, estão aqui e são nossos parceiros há muitos anos" disse Stefan Salej, diretor na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Compras públicas e PMEs

Segundo Aguiar, duas novidades devem estar presentes no acordo com a União Europeia: um capítulo sobre compras governamentais e outro com medidas para estimular a atuação de pequenas e médias empresas no comércio exterior.

"Pretendemos incluir menções específicas [para companhias de menor porte] que facilitem a participação delas nas trocas internacionais", disse a executiva do Itamaraty.

Sobre as compras governamentais, ela afirmou que a participação de empresas estrangeiras em licitações públicas será liberada "a partir de determinado valor [dos contratos]". "Isso deve promover uma maior competição, o que beneficiaria o País".